Em Picos, na região centro-sul do Piauí, a série de regras impostas para coibir os excessos das propagandas eleitorais, como em outdoors, provocou a febre das placas de madeira de candidatos pelas ruas da cidade.
Cada uma delas custa em média R$ 12. Elas ficam enfileiradas, uma atrás da outra, nas ruas e avenidas do centros, nos cruzamentos e até às margens das rodovias que cruzam o município, a 322 km de Teresina.
O difícil é o eleitor que passa a pé, de carro ou de ônibus conseguir mirar os olhos em alguma delas.
Além de propaganda eleitoral em outdoors, o TSE "vetou" a propaganda eleitoral que prejudica a "estética urbana".
Picos tem quatro candidatos a prefeito e 76 a vereador.
Placas de propaganda enfileiradas em Picos, no Piauí
"Estou muito feliz e divido essa alegria com a excelente equipe que tenho e com o governador Serra, que no início dessa nossa gestão foi o prefeito e hoje como governador nos ajuda muito"
Gilberto Kassab, candidato do DEM, comentando a pesquisa Datafolha, que mostrou empate técnico dele com Geraldo Alckmin (PSDB)
Marta Suplicy perdeu a liderança que tinha há duas semanas no centro da cidade. Ela segue estável, porém, em todo o município.
Segundo a pesquisa Datafolha realizada nos dias 4 e 5, a petista caiu 24 pontos percentuais nessa região desde o penúltimo levantamento, dos dias 21 e 22 de agosto.
Há duas semanas, a ex-prefeita tinha 38% das intenções de voto entre os moradores do centro, contra 29% de Geraldo Alckmin e 13% de Gilberto Kassab.
Agora, quem lidera na área é o tucano, com 38%. Ele tinha 29% na penúltima pesquisa.
O prefeito foi o que mais subiu, no entanto. De 13% há duas semanas, Kassab atinge agora 27% das intenções de voto no centro da cidade.
Leia mais sobre a pesquisa na edição de domingo da Folha, que já está nas bancas.
A primeira aparição pública de José Serra e Geraldo Alckmin nesta campanha já tem data marcada. Na quarta-feira, o governador participará de um jantar do PSDB ao lado do candidato tucano. Conheça os detalhes desse evento com o podcast de José Alberto Bombig, repórter da Folha.
Líder nas pesquisas, Marta Suplicy declara hoje à Justiça Eleitoral uma arrecadação superior à de Gilberto Kassab na segunda parcial exigida pela lei.
Segundo informações obtidas pela Folha, só a prestação de contas referente às doações feitas à candidata chega a R$ 5,3 milhões. Além das contribuições contabilizadas em favor da candidata, o comando de campanha terá ainda que registrar arrecadação de todo o comitê financeiro.
Já o comitê financeiro de Kassab declara hoje ao Tribunal Regional Eleitoral uma receita de cerca de R$ 4 milhões ao longo do mês de setembro.
A receita frustra a expectativa do comando de campanha do prefeito, que esperava repetir o desempenho do mês passado: R$ 6,4 milhões.
No mês passado, a campanha de Marta Suplicy informou à Justiça uma arrecadação de R$ 1,6 milhão, incluído o comitê financeiro e o da candidata. Neste mês, só o da candidata chegou a R$ 5,3 milhões.
O comando de campanha de Geraldo Alckmin não informou o total arrecadado pelo candidato do PSDB. No mês passado, o comitê financeiro de Alckmin declarou uma receita de R$ 770 mil.
Confira como é o preparo dos pratos que Marta, Alckmin e Maluf sempre pedem em seus restaurantes prediletos, conforme reportagem deste sábado da Folha (só para assinantes).
Marta Suplicy: pizza margherita do Jardim di Napoli
Massa artesanal: Farinha, fermento, água, pitada de sal e fio de azeite
Preparo: - Amassar bem. Deixar descansar por cerca de três horas. Depois, formar as porções individuais, deixar descansar e crescer. - Na hora do preparo, abrir a massa na forma. Colocar o recheio e levar ao forno por 10 a 15 minutos. Servir em seguida.
Recheio: - Pasta feita com tomate cru e temperos (sal, orégano) batidos no liqüidificador - Postas de muzzarela (cerca de 5 por pizza de 35 cm) - Queijo parmesão ralado espalhado por toda a superfície - Folhas de manjericão colocadas sobre as postas de muzzarela
Preparo: - Colocar para cozinhar por pelo menos duas horas. Quanto mais tempo, melhor - Coar para retirar os sólidos. Deixar cozinhando por mais uma hora, para retirar a acidez - Usar para massas como nhoque, ravióli, talharim e capeletti
Ingredientes do molho: Alcaparra em conserva moída, azeite de oliva e suco de limão
Preparo: - Enrolar o palmito natural fresco em papel alumínio e levar ao forno (a 100 graus) por três horas - Retirar do forno e cortar em tiras. Colocar o molho por cima - Sem retirar do alimínio, levar para a grelha por 10-15 minutos. Servir em seguida
Em Poço Dantas, cidade em que 72,8% do PIB depende da administração pública, não há supermercado, posto de gasolina, correios nem agência bancária.
Para sacar o Bolsa Família, os moradores têm um único caixa eletrônico da Caixa Econômica Federal, instalado num canto de um mercadinho.
Proprietário do estabelecimento, o casal Rosângela, 28, e Antonio, 29, é uma espécie de gestor desse caixa. São eles que operam a máquina, passam o cartão do Bolsa Família e entregam o dinheiro.
A cidade tem 587 famílias recebendo o benefício.
Uma vez por semana Rosângela e Antonio fazem os cálculos do que foi sacado e do quanto precisará ser reposto em "cash" para a semana seguinte.
E é aí que vem o segredo do casal: para evitar assaltos, só eles na cidade sabem quem é a pessoa encarregada de buscar o dinheiro em Uiraúna, a 20 km de lá.
Essa pessoa vai ao município vizinho uma vez por semana e volta de lá com uma mochila cheia. Em cada viagem, carrega cerca de R$ 7.000 em notas.
Rosângela revelou à Folha a identidade do homem da mala, mas obviamente não irei divulgá-la aqui.
Rosângela de Araújo, 28, proprietária do mercadinho
"Essa questão do transporte urbano aí em São Paulo, eu te asseguro que o governo federal não só tem todo o interesse mas ele compõe o nosso programa. (...) Como é que nós não trataríamos um dos problemas mais graves?"
Dilma Rousseff, ministra petista da Casa Civil, no programa de rádio desta sexta-feira de Marta Suplicy (PT)
"A Marta disse na propaganda que tinha acertado tudinho com o Lula. Era cascata. Saiu o Orçamento do governo federal para o ano que vem e não tem um tostão para o metrô de São Paulo, rapaz. (...) Ela conseguiu descumprir a promessa sem nem ter sido eleita"
locutor do programa de rádio de Gilberto Kassab (DEM), nesta sexta-feira
Candidato do PSDB em Salvador, Antonio Imbassahy mirou no democrata Antonio Carlos Magalhães Neto e acabou acertando outro tucano, o ex-governador Geraldo Alckmin.
Em uma inserção de 30 segundos, Imbassahy critica uma das principais propostas de ACM Neto, a implantação de câmeras de segurança nos bairros mais violentos.
No comercial, um locutor diz: "O que você acha que um bandido ou traficante vai fazer quando descobrir que está sendo filmado e pode ser preso?". Em seguida, aparecem duas pessoas, e uma delas atira para o alto.
"Pois é. É por isso que o Big Brother Bairro não vai funcionar. Eles vão quebrar todas as câmeras, e, no final, vai ser um montão de dinheiro jogado fora."
O candidato do PSDB em Salvador, Antonio Imbassahy
ACM Neto tem 26% no último Datafolha, empatado em primeiro com Imbassahy, 24%.
Os marqueteiros de ACM Neto prometem responder dizendo que Imbassahy é contra a tecnologia e que a proposta das câmeras foi defendida por Alckmin, correligionário dele.
Esta semana, Alckmin disse que, se for eleito, vai instalar 18 mil câmeras na cidade.
Um mês para o primeiro turno das eleições municipais e São Paulo está em campanha para presidente da República.
Lula e agora Dilma Rousseff ocupam o programa de Marta Suplicy, do provável marqueteiro para a sucessão, João Santana. E prosseguem com turnê nacional de inaugurações e, no caso da ministra, de campanha com candidatos de outras capitais.
José Serra ocupa os programas de Gilberto Kassab, do provável marqueteiro para a sucessão, Luiz González, e também de Geraldo Alckmin, cada vez mais. E lança projetos de repercussão, como o veto ao fumo em áreas públicas e até uma nova rodovia Rio-São Paulo.
No conflito do dia no horário eleitoral, Dilma falou dos investimentos federais no metrô e Serra posou com o cheque municipal para o metrô.
Por fora, Aécio Neves acorreu de Belo Horizonte a São Paulo três vezes, pelo mesmo Geraldo Alckmin, e também está abrindo turnê nacional.
A campanha propriamente municipal tem pouca novidade, a começar dos protagonistas. A primeira foi prefeita. O segundo, governador. O terceiro é prefeito. O quarto foi prefeito e governador.
O que anima a disputa não é 2008, mas 2010. O tiro de largada foi dado no fim de semana, com Lula em campanha na capital e no ABC, onde pode vencer até em São Bernardo do Campo, pela primeira vez.
O objetivo, que se evidenciou então, é cortar as pernas do provável candidato de oposição, José Serra, em sua própria base. Daí a reação do governador, em seguida, questionando política econômica, política externa etc.
Nota neste blog sobre semelhanças entre propostas, bordões e costumes dos candidatos com o estilo de Jânio Quadros (ex-prefeito, ex-governador e ex-presidente) rendeu tiroteio entre janistas arraigados.
De um lado, Jânio Quadros Neto, neto do político morto em 1992, defensor de Gilberto Kassab (DEM): "As bandeiras defendidas pelos janistas, da competência e da seriedade, estão bem representadas na figura de Kassab, um grande prefeito. Ninguém mais do que ele merece a nossa confiança".
Do outro, o professor Nelson Valente, que escreveu 12 livros sobre o ex-presidente e era seu amigo. "Quem faz política séria como Jânio fazia é Geraldo Alckmin [PSDB]. Ele tem a honestidade e a seriedade de Jânio, o admira e segue muitos de seus projetos."
A campanha do PT em Araraquara "emprestou" do Corinthians o slogan que virou símbolo da campanha do time na Copa do Brasil deste ano.
As propagandas de rádio e TV da petista Edna Martins exibem a vinheta "Araraquara não pára, não pára, não pára". Ouça aqui.
Na versão corintiana, com melodia inspirada na introdução da música "Amigo", de Roberto Carlos, os torcedores cantavam o tema para que os jogadores mantivessem o ritmo de boas atuações que levaram a equipe até a final.
Com esse discurso, Edna soma 29% das intenções de voto, segundo o Ibope, e está tecnicamente empatada com Waldemar De Santi (PP), que tem 26%.
O PT comanda a cidade do interior paulista desde 2001.
Em tempo: longe da torcida e do "hino", o Corinthians, favorito, foi derrotado pelo Sport, em Recife, por 2 x 0, no último jogo. E ficou em segundo lugar na competição.
O Ministério Público Eleitoral recebeu carta-denúncia contra o presidente nacional do PV, José Luiz de França Penna.
Ele é acusado de "monopolizar" o horário eleitoral gratuito de vereadores, em benefício de sua própria candidatura à Câmara.
Penna, na propaganda desta tarde na TV
A sigla, da coligação de Gilberto Kassab, tem direito a 1min03s em cada bloco.
O autor do texto, que não se identificou, classificou a atitude de Penna de "facista, antidemocrática e anti-republicana".
O assessor de imprensa do PV nacional, Gerson de Faria, rebateu as acusações.
Segundo ele, Penna não ocupa todo o programa: "A cada três dias aparece um bloco de quatro candidatos".
Já o promotor Eduardo Rheingantz explica que a Justiça Eleitoral não tem nada a ver com a rixa.
"A propaganda eleitoral é de competência do partido, que resolve como distribuir o tempo de TV. Se algum candidato se sentir desprestigiado, deve buscar a Justiça comum."
A passagem de Marta Suplicy nesta quinta-feira por Ermelino Matarazzo contou com companhia inusitada.
Uma dezena de cabos eleitorais do vereador tucano Adolfo Quintas acompanhou os eventos da petista balançando as bandeiras azuis em meio às vermelhas de Marta. O clima era amistoso.
"Eu estou aqui porque gosto do vereador, acredito nele, e também porque gosto da Marta", disse uma cabo eleitoral.
Adolfo Quintas, cujo reduto fica em Ermelino Matarazzo, está em litígio com a campanha de Geraldo Alckmin (PSDB).
Ele é da ala tucana que deu força a Gilberto Kassab (DEM). O vereador está excluído do programa de vereadores do PSDB sob o argumento de que não vem apoiando o tucano.
As bandeiras dele de ontem não traziam o nome de Alckmin.
No extremo da zona leste, que engloba Ermelino Matarazzo, Marta tem 47% das intenções de voto, segundo o Datafolha. Alckmin tem 18%.
"De nada adianta a ex-prefeita falar que fez 200 km de corredor [de ônibus]. Então, eu vou fazer mil do jeito dela: pegar uma avenida, isolar uma faixa, colocar tachão [revestimento para o solo] e dizer que isso é corredor. Vou fazer mil"
Gilberto Kassab, candidato do DEM, sobre proposta da adversária Marta Suplicy (PT)
Alcântara (MA), a quase duas horas de balsa de São Luís, parece um canteiro de placas de obras do governo federal. No entanto, não se vêem homens trabalhando.
Uma placa diz que a obra, no valor R$ 385,6 mil, de recuperação do sobrado Tito Soares, prédio histórico, começaria em agosto e terminaria em 21 de dezembro de 2007.
Projeto do Ministério da Cultura, a obra parece nem ter começado. Os tapumes ainda cercam um telefone público, impedindo acesso ao aparelho por moradores.
Programa do Ministério do Turismo, a "revitalização da praça matriz São Mathias", no valor de R$ 302,2 mil, envolve um quarteirão da cidade cercado por tapumes. Há materiais de construção no local, mas a reportagem não encontrou nenhum operário.
Outras duas placas visíveis são a que anuncia a "pavimentação e drenagem da rua da Capetiua e outras na sede do município", no valor de R$ 142,8 mil, e a que indica o asfaltamento da avenida Jericó e rua da Baroneza, projeto de R$ 199,8 mil, ambos do Ministério das Cidades. Nem sinal de obras.
Placa anunciando obra de recuperação em sobrado de Alcântara (MA)
Enquanto Fernando Gabeira (PV), 8% no Datafolha, escala artistas para alavancar sua candidatura à Prefeitura do Rio, Alessandro Molon (PT), 4%, promove um desfile de ministros em sua propaganda de TV.
Para reforçar o vínculo do candidato com o governo, Tarso Genro (Justiça), Fernando Haddad (Educação), Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e Carlos Minc (Meio Ambiente) apareceram na TV em depoimentos exclusivos de apoio ao petista. Marina Silva, ex-ministra, também já pediu votos para Molon.
Alguns discursos são acompanhados da vinheta "É o apoio do governo Lula às idéias de Molon".
O petista e Marcelo Crivella, 20%, disputam a imagem do presidente no horário eleitoral. O candidato do PRB, partido do vice José Alencar, foi impedido pela Justiça de mostrar fotos dele com Lula.
Aproveitando essa exclusividade, Molon, então, exibe um discurso do presidente na TV, de setembro de 2007, durante o 3º Congresso do partido. "Não tenham medo de ser petistas, de andar com uma estrela no peito", diz Lula.
O presidente, que no primeiro semestre tentou unir o PT ao PMDB do governador Sérgio Cabral, até agora não gravou depoimento para ajudar o correligionário.
Um exame mais atento de propostas, bordões e costumes dos candidatos à Prefeitura de São Paulo demonstra que o estilo de Jânio Quadros não abandonou a política paulistana.
Considerado por muitos o "pai" do marketing político, o ex-prefeito da cidade, ex-governador do Estado e ex-presidente não pára de ser relembrado nessa campanha.
Confira as semelhanças entre os candidatos atuais e Jânio Quadros:
Marta Suplicy Projeto Belezura, de revitalização visual da cidade, lembra iniciativas higienistas de Jânio, como o "varre, varre, vassourinha".
Jânio Quadros e sua vassoura em evento na Câmara do Rio, em abril de 1953
Geraldo Alckmin Toma cafezinho, come em lugares simples, passando uma imagem de homem do povo. Jânio levava sanduíches de mortadela no bolso. No programa de TV, usou o bordão "São Paulo tem jeito; Geraldo prefeito", muito parecido com o "São Paulo tem jeito; o jeito é Jânio"
Gilberto Kassab O Cidade Limpa, como o Belezura, lembra as vassouras de Jânio. O atual prefeito também já provou o sanduíche de mortadela do Mercado Municipal.
Paulo Maluf A "freeway" que o candidato propõe sobre as marginais lembra a encomenda de Jânio ao arquiteto Oscar Niemeyer, em 1986, para desenvolver projeto de 18 quilômetros de reurbanização das margens do rio Tietê.
Soninha Francine A frase "Quem foi que disse que São Paulo não tem jeito?" lembra "São Paulo tem jeito; o jeito é Jânio"
Ciro Moura "Tostão contra o milhão" é o mesmo bordão usado por Jânio em 1953.
Recém-chegado de uma viagem aos EUA ─onde acompanhou o processo eleitoral─ o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), desembarca hoje em São Paulo para tomar pé da disputa pela prefeitura da capital.
Apesar de um relato otimista feito ontem pelo deputado Edson Aparecido à Executiva nacional do PSDB, Guerra quer conferir pessoalmente se existe risco de o tucano Geraldo Alckmin não chegar ao segundo turno.
No PSDB, Guerra foi avalista da candidatura. Mas, antes convencido da presença de Alckmin no segundo turno, Guerra não exibe mais essa confiança.
Vida de nanico não é mole. No horário eleitoral desta quarta-feira, Renato Reichmann, candidato a prefeito pelo PMN, exibiu um novo recurso visual para ilustrar sua proposta para o trânsito.
Dois pequenos ônibus cruzavam a tela enquanto o candidato falava de seu projeto de ônibus expresso nos corredores.
Comparando com a "situation room" de Marta Suplicy e o "kassabinho" de Gilberto Kassab, as candidaturas que mais arrecadaram até agora, a campanha de Reichmann está a quilômetros de distância.
A senadora Serys Slhessarenko (PT) precisou se atirar no chão na tarde desta quarta-feira para escapar de um tiroteio entre policiais e assaltantes em Comodoro, a 540 km de Cuiabá.
A petista participava de corpo-a-corpo do correligionário Marcelo Beduschi, candidato a prefeito. A troca de tiros durou 20 minutos.
Ela ficou atrás de um carro para não ser atingida pelas balas.
"Foi um bangue-bangue, muitos tiros, nunca pensei que presenciaria algo assim. Ainda estou em choque."
Uma pessoa que passava no local ficou ferida, sem gravidade.
Jornal "Vale do Guaporé" Tiroteio em Comodoro após tentativa de assalto a banco
Os assaltantes, que invadiram a agência do Banco do Brasil, não conseguiram acesso ao cofre. Nada foi levado, segundo o banco.
Ao tentar fugir, depararam-se com três policiais que faziam a segurança da carreata e começou a troca de tiros.
"Pareciam muito profissionais, alguns encapuzados e com metralhadoras. Quando percebi, já estava no chão no meio daquelas balas", declarou a senadora.
Eles fugiram. Até esta noite ninguém tinha sido preso.
"Me dê este voto, que será um martelo, que eu vou pegar um bloco de mármore bruto e transformar nele [sic] na melhor imagem do mundo: a estátua de São Paulo"
Paulo Maluf, candidato do PP a prefeito, que apareceu pedindo votos no horário eleitoral pela primeira vez hoje, dia de seu aniversário
Luciano Enéas Martines Nantes Soares, 37, que tenta se eleger vereador imitando Enéas Carneiro, foi proibido pela 1ª Zona Eleitoral de São Paulo de usar na propaganda gratuita a imagem do deputado federal morto.
Luciano, do PTN, que usa o nome de Enéas Filho, diz na TV que vai continuar o trabalho de seu pai. De fato, Luciano é filho de um Enéas, Osvaldo Enéas, que foi eleito vereador em São Paulo, em 1996.
Os dois acrescentaram o "Enéas" ao nome alterando o registro em cartório.
Propaganda na TV de Luciano Enéas
No entanto, o juiz eleitoral Claudio Luiz Bueno de Godoy entendeu que houve imitação com o objetivo de "infundir no eleitor a crença em um elo que não existe".
A ex-mulher de Enéas Carneiro já tinha dito a este blog que iria acionar a Justiça contra o clone.
O verdadeiro Enéas, em propaganda na TV de 2002
O advogado Darci Serafim de Oliveira, que defende Luciano, afirmou que a aparência semelhante dos dois é "mera coincidência".
"Ele tem quatro graus de miopia e a barba é dele. Vamos agora forçar ele a andar sem óculos e sem barba?", contesta Oliveira, que admite, no entanto, uma mudança na entonação da fala de seu cliente.
As cidades de Coelho Neto, Araioses e São Bernardo, no Maranhão, próximas à divisa com o Piauí, não têm programa eleitoral na TV. Mas, em compensação, os moradores sofrem com os carros de som com jingles dos candidatos.
Comerciantes reclamam que as portas chegam a tremer com o alto volume dos carros.
Em ritmo de forró ou plagiando músicas de compositores brasileiros, os jingles chegam a irritar pois, como as cidades são pequenas, de cinco em cinco minutos os carros de som passam no mesmo lugar.
Outros jingles trazem recordações de eleições passadas, como o do prefeito de Araioses, Zé Tude (PSC). Ele copiou o refrão do presidente Lula em 2006: "Deixa o homem trabalhar".
José Aníbal, líder do PSDB na Câmara, não deixa sem resposta o vereador Adolfo Quintas.
Na segunda-feira, Quintas responsabilizou Anibal e o coordenador de campanha de Geraldo Alckmin, deputado Edson Aparecido, pela ausência de vereadores no programa do PSDB.
Dizendo que endossa a decisão de Aparecido de condicionar a aparição de vereadores ao apoio a Alckmin, Anibal ironiza:
"Não há um átomo de razão política na decisão de Quintas [de não gravar]. Se você quiser encontrar a razão, vá lá ver a campanha dele. Você vai entender."
Segundo Anibal, "para aparecer no programa do PSDB, o vereador tem que apoiar o candidato do partido".
Nos primeiros dias do horário eleitoral, candidatos a vereador do PSDB apareceram na TV sem nem mesmo falar o nome de Geraldo Alckmin. Após o crescimento de Gilberto Kassab (DEM) nas pesquisas, os tucanos mudaram a estratégia.
Os aspirantes à Câmara tiveram de se apresentar na TV, nesta terça, diante de um cenário que traz a foto do tucano ao lado de imagem aérea de São Paulo.
É semelhante ao que faz Marta Suplicy (PT). Desde o primeiro dia da propaganda eleitoral.
Propaganda de candidato a vereador tucano, ontem
Cenário dos candidatos petistas à Câmara Municipal
EDUARDO SCOLESE da Folha, em Serrinha dos Pintos (RN)
Como dizem os moradores, o "bicho tá pegando feio" na disputa pela Prefeitura de Serrinha dos Pintos (RN), com 4.360 habitantes e 3.558 eleitores.
A campanha tem registro de agressões verbais e físicas entre os cabos eleitorais do prefeito e candidato à reeleição, Chiquinho de Ana (PSB), e de seu opositor na campanha, o atual vice-prefeito, Ledimar Queiroz (PR).
Na semana passada, os dois grupos trocaram sopapos na principal avenida da cidade. Teve queixa registrada na delegacia.
Ninguém admite perder. Tanto que as apostas entre os adversários viraram febre nas últimas semanas, o que já preocupa a polícia e o atual prefeito.
"Eu não mandei ninguém apostar. Só aposta quem tem coragem, e eu não tenho", diz o prefeito.
Eletricista da prefeitura, Ronaldo Queiroz, 21, que recebe um salário mensal de R$ 300, fez duas apostas, certo de que seu patrão será reeleito. Com o agricultor Francisco Queiroz, 59, apostou R$ 5.000.
"Junto esse dinheiro desde nascença, mas não tenho medo de perder", afirma o eletricista. "Eu, toda vida, apostei. De eleição para prefeito, eu nunca perdi. Só perdi pra governador. Se o candidato tem potência, eu percebo", diz o agricultor.
O dinheiro dessa aposta está guardado com amigos em comum.
Aurino Aquino, 35, zelador do matadouro da prefeitura, apostou uma moto. Se o prefeito for reeleito, leva R$ 2.000. Caso contrário, perde a moto, avaliada por ele em R$ 1.500.
Aurino Aquino, 35 ( verde), e Ronaldo Queiroz, 21: apostadores na eleição
Os sites oficiais dos três principais candidatos em São Paulo refletem a quantidade de dinheiro que as campanhas têm: mais recursos levam a páginas mais completas e interativas.
Gilberto Kassab e Marta Suplicy, os que mais arrecadaram até agora, nessa ordem, têm as páginas com mais opções para o internauta-eleitor.
Na página da petista, é possível enviar vídeos, fotos e textos com declaração de apoio. O eleitor mais interessado pode até baixar em alta resolução fotos de arquivo pessoal da candidata, como a do início do namoro dela com Eduardo Suplicy.
Suplicy e Marta, no site da candidata
Na do democrata, há uma seção inteira para a militância on-line. Lá, o eleitor consegue sugerir projetos: "Plante aqui a sua idéia para São Paulo".
Os dois sites também têm ferramenta que avisa de atualizações nas páginas, o feed.
O site do tucano, que enfrenta dificuldades para arrecadar, não tem blog, não tem feed e não há nem enquetes.
No "pé" da home, há instruções para que o eleitor faça uma doação.
A disputa entre Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab por José Serra também contamina os sites oficiais das duas campanhas.
A parceria com o governador está nas duas páginas, que, até a manhã desta terça-feira, traziam o mesmo número de menções a Serra: nove em cada uma, segundo os mecanismos de busca.
O tucano usa a imagem do correligionário com mais liberdade, no entanto. Logo na home, uma foto grande do governador chama para o depoimento dele exibido na propaganda de TV.
Imagem do site de Geraldo Alckmin
O prefeito, que não exibe fotos do antecessor, cita o governador nas realizações da administração ─que começou com Serra à frente da prefeitura─ e até na parte dedicada à sua biografia.
"Como vice de Serra, aprendi bastante e ajudei muito o prefeito e a cidade", diz texto no site do democrata.
Já Marta Suplicy, que tem exclusividade no uso da imagem de Lula, aproveita o fato em sua página: até a manhã desta terça-feira havia 41 menções ao presidente.
Defensor da aliança em favor de Gilberto Kassab (DEM), Adolfo Quintas, vereador, ainda não gravou sua participação no programa eleitoral do PSDB.
Ele atribui essa resistência ao comportamento dos deputados alckmistas Edson Aparecido e José Anibal.
Segundo Quintas, os dois ameaçam os vereadores do partido, além de terem vazado que haveria um encontro com Geraldo Alckmin antes que acontecesse.
"Não dá para conversar com Zé Anibal e Edson Aparecido. Eles estão atrapalhando a vida do Alckmin", queixa-se o vereador, que sofre com a decisão do líder da bancada, Gilberto Natalini, de não participar do programa de Alckmin.
"Ele tem sido radical. Mas, para ser humilhado, não gravo mesmo."
As vozes da experiência conduziram Marta Suplicy ao primeiro lugar na única faixa etária do eleitorado na qual ela não era líder ─e da qual ela faz parte.
Fernando Donasci - 29.ago.08/Folha Imagem Marta, de óculos, encontra idosos na última sexta-feira
A pesquisa do Datafolha realizada nos dias 21 e 22 de agosto indicou que a petista de 63 anos perdia numericamente para o tucano Geraldo Alckmin, 55, por 29% a 28% entre as pessoas com mais de 60 anos.
O levantamento do instituto do dia 29 de agosto mostrou, no entanto, que Marta conquistou a simpatia dos idosos: subiu seis pontos percentuais nessa faixa etária, enquanto Alckmin caiu um ponto.
Presidente do PT em Miguel Leão (PI) de 2002 a 2004, o comerciante Raimundo Carvalho de Araújo Filho, 52, diz que só tem uma certeza nas eleições: não vota em nenhum candidato petista.
"Eu rasguei minha carteirinha do PT."
Apesar de afirmar que no Piauí "são Jesus Cristo no céu e Lula na Terra", Araújo Filho conta que não votaria no presidente numa eventual nova candidatura dele. "A não ser que Lula esteja em outro partido", afirma.
Com apenas 1.087 eleitores, Miguel Leão tem o menor número de votantes do Norte/Nordeste.
Araújo Filho diz que passou a odiar o PT após sofrer pressão do partido por ter filiado pessoas ligadas à família Arêa Leão, fundadora, há 45 anos, da cidade de 1.194 habitantes (dado de 2007).
"Hoje estão juntos", conta ele, referindo-se a Paulo Henrique de Arêa Leão (PSDB), candidato a vice na chapa do candidato petista a prefeito da cidade, Joel de Lima.
A ojeriza ao PT nada tem a ver, segundo Araújo, com o fato de ter se envolvido em irregularidade no Bolsa Família. Em 2004, a Procuradoria da República no Piauí instaurou inquérito para apurar recebimento indevido do benefício.
Araújo Filho estava na lista dos agraciados, apesar de aposentado como servidor público. Ele chegou a ser chamado a depor na Polícia Federal.
"Eu tinha mandado um ofício para tirarem meu nome [do cadastro do Bolsa Família]. O delegado disse que, depois de 90 dias, se eu não sacasse, bloqueariam automaticamente. Um dia, depois de três meses, fui à Caixa Econômica e lá estava o dinheiro. Peguei tudo. R$ 190. Dinheiro na minha conta eu pego mesmo", disse.
Raimundo Carvalho de Araújo Filho, 52, ex-presidente do PT de Miguel Leão (PI)
Gilberto Kassab (DEM) mostrou nesta segunda-feira, em seu programa vespertino, imagens de uma entrevista que concedeu à rádio comunitária de Heliópolis.
No ar há dez anos, a emissora goza de prestígio na maior favela do Brasil e segunda maior da América Latina, com 120 mil habitantes. Está localizada na zona sul, na qual o prefeito registra o seu segundo melhor desempenho nas pesquisas de intenção de voto (20%) e uma das poucas não lideradas por Marta Suplicy (PT), mas pelo tucano Geraldo Alckmin.
A rádio operou sem autorização do governo federal até maio deste ano, quando o presidente Lula esteve nos estúdios para entregar pessoalmente sua outorga. Mesmo quando era irregular, recebeu Marta Suplicy, na campanha pela reeleição, e o então governador Geraldo Alckmin.
Logo após a aparição na propaganda de Kassab hoje, alguns moradores perguntaram à rádio se ela estava apoiando o prefeito. A resposta foi "não". O microfone está liberado para qualquer candidato, afirmou a direção.
Enquanto boa parte dos candidatos à Prefeitura do Rio disputa a imagem do presidente Lula, Fernando Gabeira (PV) aposta no apoio de artistas para subir nas pesquisas.
Gabeira já apresentou na propaganda de TV depoimentos da cantora Adriana Calcanhoto e do diretor de TV Daniel Filho.
Cantores como Paula Toller, George Israel, Dado Villa-Lobos e Frejat já gravaram depoimentos ou cederam músicas para a campanha.
Nas três últimas pesquisas do Datafolha, Gabeira oscilou entre 7% e 8%.
Pela primeira vez engajado abertamente em uma campanha, Villa-Lobos cedeu "idealística e altruisticamente" seu estúdio recém-montado no Jardim Botânico (zona sul) para artistas gravarem músicas e depoimentos para o candidato.
"É uma campanha dura. Ele vai receber ataques de todos os lados: direita, esquerda, dos níveis municipal, estadual, federal, universal... Achei interessante unir forças e participar de uma pequena frente contra isso", afirmou o músico.
O principal desafio do candidato, no entanto, é justamente encontrar artistas com público nas áreas populares. Com uma rejeição de 22%, ele enfrenta maior dificuldade nos grupos com baixa escolaridade.
"Seria muito legal se um cantor megapopular, como Zeca Pagodinho, gravasse", disse Dado.
Para o publicitário de Gabeira, Lula Vieira, o artista "dá um refresco no programa, cria uma simpatia, uma relação mais íntima, mais amigável".
Outro cabo eleitoral de Gabeira na TV foi o governador José Serra, disputado por Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab em São Paulo.
Em depoimento, o tucano chamou o deputado de um dos "principais nomes da política brasileira".
EDUARDO SCOLESE da Folha, em Governador Dix-Sept Rosado (RN)
A personalidade que deu nome ao município não tem absolutamente nada de francês. O Dix-Sept (o número 17, em francês) não passou de um incremento europeu dos pais de Jerônimo Dix-Sept Rosado Maia, prefeito de Mossoró e governador do Rio Grande do Norte no início dos anos 50.
O capricho desse casal, Jerônimo e Maria, repetiu-se 21 vezes. Todos os 21 filhos receberam nomes de números ─em francês, é claro.
Além de Dix-Sept, outros filhos ficaram conhecidos no mundo político e acadêmico do Estado: Dix-Huit Rosado Maia, Vingt Rosado Maia, Vingt-un Rosado Maia.
Todos os 21 já morreram.
Placa na entrada da cidade de Governador Dix-Sept Rosado
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) elaborou uma lista com os cem nomes de candidatos a vereador e prefeito que declararam os maiores valores em bens. No entanto, segundo a assessoria de imprensa do órgão, a lista não é confiável, já que há valores absurdos apresentados pelos candidatos que ocupam as primeiras posições.
Encabeça a lista Miguel Antunes Ferreira, aspirante ao cargo de vereador em Alto Alegre dos Parecis (RO), de 11 mil habitantes e 4.000 quilômetros quadrados.
A fortuna de Miguelão da Flor da Serra, nome de urna do candidato, segundo sua declaração, é de R$ 129,25 bilhões, equivalente a 36 vezes o PIB (Produto Interno Bruto) de Porto Velho.
Segundo um funcionário da prefeitura local, Ferreira tem apenas um sítio pequeno na área rural da cidade.
Segundo, terceiro e quarto colocados da lista do TSE também declararam rendas superiores a R$ 1 bilhão.
"Nós montamos a lista, mas de pronto já colocamos sob suspeita esses quatro primeiros colocados, cujas rendas declaradas são surreais", afirma a assessoria de imprensa do TSE.
Airton Garcia, que lidera o ranking levantado pela Folha em São Paulo, aparece no 11º lugar na lista nacional do TSE.
O segundo mais rico do Estado, segundo o TSE, é o comerciante Augusto de Jesus Silva, candidato a vereador em Poá (SP). Ele declarou R$ 160,3 milhões, sendo R$ 160 milhões referentes a um terreno.
"O sistema [do TSE] é muito falho e nem sempre dá para confiar, pois dependemos apenas da boa vontade dos candidatos. Já tivemos caso de candidato que declarou R$ 10 mil e na mesma campanha doou R$ 15 mil para o partido", afirma Fabrício Angélico, coordenador de projetos da ONG Transparência Brasil. "Eles mesmos [do TSE] detêm os dados e bastaria um cruzamento simples para chegar aos absurdos", diz.
O TSE informou que o atual sistema de coleta de declaração de bens é regido pela Lei Eeleitoral. O tribunal afirmou que, segundo a lei, a declaração de bens vale como informação, e não como pré-requisito para barrar alguma candidatura, apesar de ser obrigatório.
EDUARDO SCOLESE da Folha, em Governador Dix-Sept Rosado (RN)
No oeste do Rio Grande do Norte, o município de Governador Dix-Sept Rosado possui uma área de 1.129 quilômetros quadrados, equivalente à cidade do Rio. Quase tudo é zona rural. A zona urbana, de carro, cruza-se em menos de dois minutos.
Estive lá na semana passada, na primeira parada da cobertura para a seção "Eleições na Estrada", que começou a ser publicada hoje na Folha. A campanha eleitoral local está recheada de "fichas sujas", mas, como se pode ver na reportagem publicada no jornal (só para assinantes), isso passa despercebido na cidade.
Uma promessa que todos fazem é que se empenharão na instalação de comunicação móvel no município para sanar outra curiosa contradição de Dix-Sept: grande parte dos habitantes tem celular em casa, apesar de o município ser um dos 1.836 do país que ainda não possuem cobertura de telefonia móvel.
A varredora de rua Vilma Ferreira da Silva, 34, por exemplo, tem dois aparelhos em sua pequena casa, na periferia da cidade. "Um eu comprei. Outro era do meu pai, que morreu. Aqui ele não serve pra nada. Meus filhos é que gostam do celular pra ficar brincando nos joguinhos", diz.
Na principal rua da cidade, a situação é a mesma. Muitos celulares pra nada. As meninas, por exemplo, dizem que vale a pena ter um aparelho por conta dos passeios de final de semana a Mossoró, a 30 km. "Quando eu vou pra Mossoró, aproveito e vejo se tem recados ou mensagens. Se alguém quiser me ligar, ótimo", diz Elisabeth da Silva, 20.
O taxista Josenilson Assis, 39, "depende" do celular para o trabalho. "Vou todos os dias a Mossoró. Os meus clientes me procuram pelo celular. Na volta pra casa, eu fico sem contato até o dia seguinte."
Apesar das promessas, os candidatos pouco podem fazer para cumpri-las. Segundo a Anatel, os 1.836 municípios que, até o início deste ano, não possuíam cobertura de celular já foram distribuídos entre as operadoras. As empresas têm até o início de 2010 para "universalizar" esse serviço no país.
Isso, porém, não significa uma abrangência total nos municípios. Haverá sinal de celular nas zonas urbanas, ao menos. Nas zonas rurais, não há meta nem previsão. Para as operadoras, sem pressão do governo, sinal de celular no centro da cidade é igual a um município atendido.
Francisco Moraes, 42, Josenilson Assis, 39, Elisabeth da Silva, 20, e Maira Rafaela, 21: todos têm celular em uma cidade sem sinal
Confortável na pele de cabo eleitoral de Mário Reali (PT), candidato à Prefeitura de Diadema, na Grande São Paulo, o presidente Lula aproveitou seu discurso no sábado para ironizar o adversário tucano na cidade.
Lula lembrou um episódio pouco abonador ao candidato do PSDB na cidade, José Augusto da Silva Ramos. Em 2005, quando era subprefeito de Capela do Socorro, em São Paulo, Ramos sugeriu um método inovador para a população combater o excesso de ratos na cidade. "Adote uma jibóia de estimação", disse o então subprefeito.
José Serra, que ocupava a prefeitura, afirmou que o subprefeito brincou ao falar em jibóia.
Lula não levou na brincadeira: "Lembram quando queriam acabar com os ratos e colocar jibóia? Eu quero saber como uma dona-de-casa encontra uma jibóia na esquina com um rabinho fazendo assim para ela? Como vai ser a situação? Ô gente, uma pessoa que faz esse tipo de proposta não pode merecer a confiança de homens e mulheres dessa cidade".
"Há quatro anos isso já aconteceu [participação de Lula na campanha de Marta] e não resolveu o problema. A candidata do PT perdeu a eleição (...) Como ela não tem propostas novas, isso aí é para a televisão, para ocupar espaço"
A pesquisa do Datafolha do dia 29 de agosto mostrou que a campanha de Gilberto Kassab (DEM) está fazendo sucesso entre as mulheres.
Entre os quatro primeiros na disputa pela prefeitura, Kassab foi o único que não teve queda nas intenções de voto entre as eleitoras paulistanas no período entre as duas últimas pesquisas do instituto.
Pelo contrário, Kassab subiu quatro pontos percentuais e tem 17% dos votos femininos da capital. Porém, para continuar no cargo, Kassab ainda tem muitas mulheres a conquistar: Marta Suplicy (PT) ainda lidera com folga nesse segmento, com 39%, seguida de Geraldo Alckmin (PSDB), com 25%.
Paulo Okamotto subiu e foi celebrado em todos os palanques do Grande ABC pelos quais passou o presidente Lula no fim de semana.
Presidente do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa) e amigo do presidente, ele teve pedido de indiciamento aprovado pela CPI dos Bingos, em junho de 2006, após se apresentar como responsável pelo pagamento de dívida de R$ 29,4 mil de Lula com o PT sem exibir comprovantes.
Depois que Geraldo Alckmin (PSDB) colocou na TV o "sofá da Lu", com sua mulher no papel de apresentadora de um "programa feminino", Marta Suplicy (PT), que se separou de Eduardo Suplicy após 36 anos de casamento e se casou com o franco-argentino Luis Favre, também busca mostrar seu "lado família".
Entrou no ar na última sexta, no rádio, um jingle que fala da "sabedoria de mãe, sensibilidade de mulher". Na seqüência, um locutor pergunta à candidata se "certamente é por essa sensibilidade de mãe que vai criar tantas creches?". E depois que "mãe se preocupa com a saúde também, né?".
Na noite de sexta, na TV, Alckmin se dirigiu aos jovens como "pai e administrador". Gilberto Kassab (DEM) é solteiro e não tem filhos.
Blog do caderno Brasil, da Folha, com curiosidades e bastidores das campanhas pelo país, nas ruas e no horário eleitoral. É coordenado por editores do caderno, com produção de repórteres e redatores, em São Paulo, das sucursais de Brasília e do Rio e dos correspondentes da Agência Folha.
Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.