"Tem candidato do PSDB, do PFL [atual DEM], de todos os partidos adversários usando fotografia minha como se eu os tivesse apoiando. Sou presidente de todos os brasileiros, mas numa campanha política é importante dizer que eu tenho lado, e o meu lado aqui em São Paulo é o da companheira Marta"
Lula (PT), em discurso em comício de Marta na zona leste da cidade
Segundo pesquisa Datafolha, o índice de eleitores que avaliam a gestão do presidente como ótima ou boa é de 49%, o que faz de Lula um importante cabo eleitoral. Entre os que aprovam seu governo, 52% dizem que vão votar em Marta.
Leia mais sobre a pesquisa na edição de domingo da Folha, que já está nas bancas.
O comando de campanha de Geraldo Alckmin decidiu submeter o quadro "No sofá com Dona Lu" a pesquisas qualitativas. Exibido nesta semana, traz a mulher do candidato como entrevistadora.
A idéia de mostrar o lado familiar de Alckmin ─enquanto Marta Suplicy (PT) é separada e Gilberto Kassab (DEM), solteiro─ dividiu o comando da campanha do PSDB durante reunião na noite de quinta-feira.
Para uns, é eficiente. Para outros, Alckmin deve dedicar seu tempo na TV à apresentação de propostas e à comparação com Marta.
A atleta Maurren Higa Maggi recebe homenagem de Gilberto Kassab
EVANDRO SPINELLI da Folha
O prefeito e candidato à reeleição Gilberto Kassab (DEM) anunciou ontem, pela segunda vez em pouco mais de um ano, a construção de uma pista oficial de atletismo em São Paulo.
A atleta Maurren Higa Maggi testemunhou as duas promessas. Natural de São Carlos, no interior do Estado, Maurren já treinou no COTP (Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa), órgão da prefeitura dirigido pela ex-jogadora de basquete Magic Paula.
A primeira vez que Kassab falou sobre a construção da pista foi em 9 de agosto do ano passado. Na ocasião, homenageou Maurren na prefeitura por ela ter ganho a medalha de ouro na prova de salto em distância dos Jogos Pan-Americanos do Rio.
Ontem, Maurren levou sua medalha de ouro do salto em distância da Olimpíada de Pequim ao COTP, onde recebeu nova homenagem do prefeito. E ouviu, de novo, a promessa de mais de um ano atrás. Recebeu a informação de que a obra começará em dezembro.
O presidente Lula estréia neste final de semana na campanha municipal. Ele estará ao lado de Marta Suplicy neste sábado, em um minicomício na zona leste. Saiba os detalhes dessa estratégia da campanha da ex-ministra com o podcast do repórter Ranier Bragon, da Folha.
Enquanto na TV a polarização entre Marta Suplicy (PT) e Gilberto Kassab (DEM) começa a pegar fogo, no rádio já está fervendo. Ontem, a petista criou o quadro "Cascata do Kassab", que o acusa de "pegar obras do Serra, Alckmin e até do Lula". Ouça aqui.
O democrata respondeu com um jingle que diz que a "dona Marta criou taxa, faturou e jogou dinheiro fora". Ouça aqui. Depois, personagens ironizaram promessas da petista, que devem ser cumpridas no "dia de São Nunca". Ouça trecho aqui.
O tom das críticas no rádio costuma ser mais elevado do que na televisão.
"Você pode usar o humor e atacar mais. O eleitor gosta da crítica irônica, bem humorada e inteligente, e no rádio há mais oportunidade do que na TV. Além disso, o candidato que faz a crítica fica mais distanciado porque não há sua imagem", explica Tom Eisenlohr, consultor em marketing político e do TSE, que coordenou a campanha de Mario Covas à Presidência, entre outras.
"O rádio tem mais liberdade e é extremamente importante nas eleições. Na TV, em razão da imagem, os ataques soam bem mais pesados", afirma Chico Santa Rita, que já dirigiu mais de cem campanhas, entre elas, a de Fernando Collor de Mello à Presidência.
O publicitário Washington Olivetto, que fez a campanha do TSE, concorda que o rádio é usado para ataques mais ferozes porque permite a utilização do humor. "Além disso, não imprime eventual antipatia ou antagonismo [por parte do eleitor] numa crítica mais pesada, coisa que um simples depoimento ou ataque na TV pode imprimir. Um bom exemplo disso são os comentários futebolísticos, sempre mais pesados nas rádios do que nas TVs."
"Depois de pegar obra do Serra e até do Alckmin, com quem tá brigado (...), agora o prefeito tá fazendo o mesmo com as obras do governo federal. Que coisa feia!"
Locutor do programa de rádio de Marta Suplicy (PT), que acusa Kassab de se apropriar de obras do "PAC de Lula"
Geraldo Alckmin reuniu ontem o comando da campanha para discutir mudanças de rumo na propaganda de rádio e TV.
Na reunião ─que contou com a presença do marqueteiro Lucas Pacheco─ ficou traçada a estratégia de se lançar numa ofensiva contra Marta Suplicy (PT), investindo na comparação do trabalho de Alckmin com o da petista.
"Marta está muito desenvolta", afirma o líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP), um dos participantes da reunião.
Segundo Anibal, a intenção é desmontar o discurso de Marta e mostrar que Alckmin fez mais no governo do Estado.
Geraldo Alckmin em seu programa de TV desta semana
O programa deverá salientar ainda a participação de Alckmin em obras na cidade, como o hospital de Cidade Tiradentes, além das parcerias com José Serra.
Nas ruas, a disposição é intensificar a mobilização, a exemplo dos demais adversários.
A reunião aconteceu na casa do presidente do conselho político da campanha, o secretário estadual de Relações Institucionais, José Henrique Reis Lobo.
Presidente municipal do PSDB, Lobo aceitou a missão na quarta-feira, durante conversa com Alckmin. Na véspera, dividiu com Serra sua inquietação quanto à condução da campanha, até então centrada em ataques à administração municipal.
A dança das coligações ─que transforma partidos aliados em adversários entre uma eleição e outra─ pode custar a candidatura de João Castelo (PSDB), líder na disputa pela Prefeitura de São Luís (MA).
O tucano corre o risco de ter a candidatura barrada na Justiça Eleitoral pela ação de antigos aliados.
O advogado Daniel Leite, que atualmente trabalha com o candidato do PDT, Clodomir Paz, apresentou um pedido de impugnação da candidatura do tucano, alegando que ele não pagou uma multa fixada pela Justiça Eleitoral em 2006.
Na época, Castelo era apoiado pelo PDT e tinha como advogado o próprio Daniel Leite. Foi Leite quem fez a defesa oral do tucano no recurso no TSE contra o pagamento da multa. O tribunal confirmou a condenação.
A campanha do tucano diz que houve traição do advogado e dos pedetistas. Afirma que Leite não comunicou o antigo cliente sobre a condenação. O advogado estava em viagem ao interior e não foi localizado.
O TRE-MA deve julgar nos próximos dias o recurso contra a candidatura de Castelo.
Atendendo a pedidos, o comando de campanha de Gilberto Kassab (DEM) quebra a cabeça para viabilizar a distribuição de "kassabinhos", bonecos em miniatura do candidato, sem ferir a legislação eleitoral.
Réplica de Kassab que aparece no programa de TV
Como é proibida a distribuição de brindes que tenham utilidade ─como calendário e pentes─, a assessoria jurídica da campanha discute se um boneco se enquadra ou não nessa categoria.
É também avaliada a hipótese de venda do suvenir por preço simbólico. O problema vira de logística: é necessária a identificação de cada um dos compradores para registro na Justiça Eleitoral.
Além dos "kassabinhos" ─réplica do candidato a exemplo do exibido na TV─, a campanha levará às ruas um "kassabão", versão gigante do prefeito.
A Justiça Eleitoral impediu que um imitador do presidente Lula faça campanha para dois candidatos a prefeito no interior do Ceará.
O falso Lula reproduzia, além da voz, figuras de linguagem que o presidente costuma usar. Nos dois casos, a voz é a mesma, do imitador apelidado de "Fox". O responsável pelas duas campanhas também é o mesmo: o cientista político Fabner Utida, de Fortaleza.
A fraude aconteceu em Granja (a 353 km de Fortaleza) e Acopiara (a 345 km). Nos dois casos, os candidatos são coligados com o PT e já usam a imagem do presidente no material de campanha impresso.
No rádio, porém, decidiram colocar uma fala falsa de Lula.
O texto é muito parecido nos dois casos, com Lula cumprimentando a todos com o tradicional "companheiros e companheiras", afirmando que "nunca na história deste país se fez tanto para melhorar a vida das pessoas" e declarando apoio ao candidato da coligação _em Granja, Romeu Aldigueri (PPS); em Acopiara, o prefeito Antonio Almeida (PTB).
Utida afirmou que não houve a intenção de enganar os eleitores com a imitação. "Em nenhum momento o locutor se identificou como o presidente Lula, e a própria imitação em si não é das melhores, dá para perceber nitidamente que é uma imitação", disse.
A Justiça Eleitoral entendeu que nos dois casos a fala pode levar o eleitor a um engano e, por isso, determinou a retirada do ar.
O secretário estadual de Relações Institucionais, José Henrique Reis Lobo, assumirá a presidência do conselho político da campanha do tucano Geraldo Alckmin, numa tentativa de manter abertos os canais entre o comitê eleitoral e o Palácio dos Bandeirantes.
Presidente municipal do PSDB, Lobo ─que recusara o convite na montagem da estrutura de campanha─ aceitou a tarefa na noite de ontem, numa conversa com o próprio Alckmin. Na véspera, Lobo se reuniu com o governador José Serra.
Serra e Alckmin ainda não conversaram desde o início da propaganda eleitoral. A escolha de Lobo divide alckmistas.
Enquanto uns consideram um importante gesto de unidade, outros temem que antigas desavenças entre Lobo e aliados de Alckmin contaminem a campanha.
Além disso, a indicação poderia ser interpretada como uma correção de rumo num momento de queda na pesquisa.
Outra preocupação é que essa seja encarada como uma intervenção de Serra na campanha. Segundo tucanos, Serra não foi consultado sobre a decisão.
Ainda segundo tucanos, Lobo e Serra compartilham opiniões parecidas sobre a campanha de Alckmin na TV. Lobo foi, na conversa com Alckmin, porta-voz de algumas delas.
Entre as propostas de Lobo está a necessidade de Alckmin explorar mais sua obra durante o governo do Estado, listando a ampliação do metrô e a integração do bilhete único entre elas.
Dois anos separam as campanhas do presidente Lula à reeleição e a de Marta Suplicy, mas muito pouco mudou na propaganda da TV dos petistas.
João Santana, o mesmo marqueteiro, repete no horário eleitoral da ex-ministra o jingle-forró que foi usado na disputa presidencial.
Além de ambas as trilhas serem um forró, as duas letras têm muitas semelhanças e começam do mesmo jeito:
Lula-2006:
A voz de Deus é a voz do povo Olha Lula aí de novo Lula é um grande presidente E vai continuar com a gente
Marta-2008:
A voz de Deus é a voz do povo Olha a Marta aí de novo Para continuar o que já fez Eu quero a Marta outra vez
Nos dois jingles também estão os bordões usados nas duas eleições: "deixa o homem trabalhar" e "deixa ela trabalhar".
A equipe de João Santana tem a intenção, desde a pré-campanha, de "colar" a imagem de Marta à de Lula, aprovado por 55% da população, segundo o Datafolha.
Pelo trabalho com Marta, João Santana vai receber R$ 6 milhões.
Desde que a disputa passou a ter segundo turno, não há registro de candidato vitorioso em São Paulo que tenha iniciado o horário eleitoral com rejeição tão alta como Marta Suplicy (31% na última pesquisa do Datafolha).
Nem Paulo Maluf, em 1992, o primeiro da série. No primeiro levantamento após o começo da propaganda na TV, ele era rejeitado por 26% dos eleitores, mesmo patamar de Celso Pitta quatro anos depois (25%).
Mais recentemente, os candidatos que ganharam estavam em níveis bem mais baixos. A própria Marta tinha só 13% em 2000. E, no início da campanha eleitoral de 2004, era de 11% a fatia do eleitorado que se declarava decidida a não votar em José Serra.
É verdade que, em 1992, a rejeição de Maluf aumentou durante o horário eleitoral ─chegou a bater em 38 pontos. Mas isso aconteceu também com todos os outros vitoriosos, alvos óbvios de ataques na TV, e mesmo assim nenhum dos últimos três prefeitos eleitos chegou ao atual patamar de Marta.
Essa matemática decerto ajuda a explicar declarações como a do deputado Paulinho na noite de ontem: "Não podemos permitir que se vá para o segundo turno. Taí, tá pertinho, faltam só dois ou três pontos". Marta lidera a corrida com 41% das intenções de voto. Somados, os outros candidatos atingem 49%.
Marcos Cláudio Lula da Silva, filho do presidente e candidato a vereador em São Bernardo pelo PT, diz que não estará ao lado do pai no final de semana, nas participações de Lula em campanhas do ABC.
Na contramão dos políticos da base aliada ─e até de fora dela─, que andam se engalfinhando pelo direito de usar a imagem do presidente bem avaliado, Marcos diz que não irá aos eventos porque vai manter agenda que já tinha sido definida.
"Não participaremos de atos com o Lula, não. Temos uma agenda de campanha que será mantida. Passaremos em todos os bairros da cidade para ouvir os munícipes até o dia das eleições", disse Marcos.
Lula estará na Grande São Paulo, sábado e domingo, para apoiar Marta Suplicy (PT), na capital, Luiz Marinho, em São Bernardo, Mário Reali, em Diadema, e Siraque Vanderlei, em Santo André.
A candidatura do filho de Lula corre o risco de ser indeferida. Decisão de juiz de primeiro grau e ratificada pelo TRE-SP diz que Marcos Lula não pode concorrer por ser filho do presidente. A proibição está na Constituição, no parágrafo 7º do art. 14.
"São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consangüíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do presidente da República, de governador de Estado ou território, do Distrito Federal, de prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição", diz a Carta.
Marcos Lula, 37, filho do primeiro casamento da primeira-dama Marisa Letícia, foi adotado por Lula quando tinha 3 anos.
Marcos Lula em sua formatura, em 2007
"Desde pequeno tive contato com a política. Acompanhei meu pai nos movimentos grevistas e dos metalúrgicos no ABC, vi também a fundação do PT em São Bernardo e no Brasil. Desde então, sempre cultivei o desejo de fazer mais pelo povo. Uma das formas que encontrei para ajudar a população foi me candidatando a vereador", diz o candidato, que é psicólogo.
Ele vai recorrer da decisão do TRE-SP no TSE. "Estamos bastante confiantes na Justiça, não estamos fazendo nada fora da lei."
GRACILIANO ROCHA da Agência Folha, em Porto Alegre
O ministro petista Tarso Genro (Justiça) estreou ontem na propaganda de TV do PSOL de Porto Alegre, partido que faz oposição ao PT em Brasília.
Tarso falou sobre as qualidades da filha Luciana Genro, mas não declarou voto nela, já que trabalha para eleger Maria do Rosário (PT) para a prefeitura.
"A Luciana é uma pessoa íntegra, muito politizada, muito humana e, nesse sentido, nós temos uma identidade muito grande", disse o pai petista.
Luciana tem 6% na última pesquisa Datafolha, contra 20% de Rosário, que tem também Dilma Rousseff (Casa Civil) como cabo eleitoral. José Fogaça (PMDB) lidera com 31%.
A aparição de Tarso faz parte de uma estratégia para tornar mais "light" a imagem de Luciana, que ganhou notoriedade após ser expulsa, em 2003, do PT e pelo tom ácido com que costuma criticar o governo Lula.
Luciana, que já havia aparecido ao lado da mãe, também disse na TV, com voz doce, que a fama de raivosa não lhe cabia, já que só costumava ficar brava diante de políticos que não cumprem o que prometem.
A nova versão também exigiu a repaginação do figurino. No lugar das madeixas rebeldes, uma escova deixou os cabelos escorridos. A camiseta também foi trocada pela sobriedade dos terninhos.
O padre Silvio Andrei pediu nesta quarta-feira, diante de cerca de 600 fiéis, votos para Geraldo Alckmin e Gabriel Chalita, ambos tucanos.
Os dois participaram de missa em homenagem à família na igreja Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos, no Ipiranga, zona sul.
"A cidade de São Paulo precisa da integridade do Geraldo Alckmin", clamou o religioso.
Leo Caobelli/Folha Imagem Lu e Geraldo Alckmin ao lado do padre Silvio Andrei
Na vez de Chalita, ex-secretário da Educação e candidato a vereador, Andrei o enalteceu por seu "idealismo".
Juntos, Alckmin e Chalita andam percorrendo igrejas pela cidade. Na quinta-feira passada, estiveram no Santuário do Terço Bizantino, de padre Marcelo Rossi, em Santo Amaro, também na zona sul.
Gilberto Kassab (DEM) segue angariando apoio de vereadores ligados a Geraldo Alckmin (PSDB).
Ontem à noite, na quadra da escola de samba Mocidade Alegre, na Casa Verde (zona norte), Celso Jatene (PTB), ao lado do prefeito, teceu elogios ao democrata.
"A coligação do meu partido não é com o prefeito Kassab. Mas eu tenho que reconhecer publicamente ─e já falei para o meu candidato [Alckmin]─ que o samba evoluiu 30 anos com o prefeito Kassab, e dentro da legalidade."
Rogério Cassimiro/Folha Imagem O prefeito Gilberto Kassab discursa com Jatene ao fundo
O PTB de Jatene tem a vaga de vice na chapa de Alckmin, com o deputado Campos Machado.
Depois, à Folha, reforçou: "Não são elogios. É o reconhecimento do que está no ‘Diário Oficial’. O homem público tem que falar a verdade".
Foi o próprio Geraldo Alckmin (PSDB) que deu ordem à sua tropa para que diminuísse o tom dos ataques a Gilberto Kassab (DEM) e que se concentrasse em Marta Suplicy (PT), como clamam tucanos como Sérgio Guerra, presidente da sigla.
O recuo na campanha começou na segunda-feira à noite. Naquele dia (25), o candidato mandou tirar do ar um programa de TV que apontaria "grandes contradições e injustiças" na capital paulista.
Alckmin ficou acuado pela reação dos interlocutores do governador José Serra, que saíram disparando telefonemas para anunciar que o chefe estava "muito aborrecido" com as críticas à administração municipal (que tem o PSDB). Daí, estancou.
Ontem, nas ruas, criticou a petista, vinculando a candidata à nova CPMF, uma referência ao "Martaxa".
Hoje, na TV, no programa da tarde, cedeu espaço à sua mulher, Lu Alckmin, que, sentada num sofá, numa estética de programa vespertino, entrevistou uma médica e uma voluntária sobre saúde da mulher.
Sumiram as críticas, todas.
Quase ao mesmo tempo, Edson Aparecido insistia: nada muda na campanha.
Além de ser usado em praticamente todos os programas de Marta Suplicy ─e de outros tantos candidatos pelo país─, Lula virou também puxador de votos na propaganda dos vereadores de São Paulo.
Gustavo Petta (PC do B), ex-presidente da UNE, mostrou na TV um discurso em que o presidente o elogia em razão do ProUni (Programa Universidade para Todos).
O ex-governador Claudio Lembo (DEM) é mais um nome do mundo "demo"-tucano com críticas ao programa na TV de Geraldo Alckmin (PSDB), de quem foi vice e a quem sucedeu em 2006 no governo de São Paulo.
Para Lembo, a propaganda tucana está "um pouco lenta, escura e mais sombria". "Me parece um pouco parado, nostálgico..."
Lembo se soma ─pelo menos─ a Sérgio Guerra, presidente do PSDB, que cobra que Marta Suplicy (PT) seja o alvo, e a José Serra, governador tucano, que ficou insatisfeito com críticas no espaço de Alckmin à administração de Gilberto Kassab (DEM), iniciada por ele, Serra.
Mas o ex-governador democrata, que já presidiu o então PFL paulista e ajudou Kassab a fortalecer a sigla no Estado, não credita os problemas da campanha tucana à falta de recursos. Para ele, "tem a ver com criatividade, não com dinheiro".
"O programa do Kassab está muito bom, leve e dinâmico", avalia Lembo. "Dinâmico" foi também como ele classificou o horário eleitoral de Marta.
Sobre as críticas de Alckmin na TV endereçadas ao prefeito, Lembo pondera: "São inevitáveis em uma campanha política. As pesquisas aumentam as emoções".
Com apenas uma semana de horário eleitoral na TV, já é possível identificar alguns nomes semifamosos e candidatos que optaram por estratégias curiosas entre 1.087 postulantes à Câmara paulistana:
Show de calouros Sergio Mallandro, após o bordão "glu, glu, salcifu, fu", faz críticas a Kassab em nome de Alckmin
Hit parade O cantor Ovelha aproveita o pouco tempo para lembrar seu clássico: "Oh, oh, iei, iei, sem você não viverei"
Mundo cão 1 Com o fim do "Aqui Agora", Cristina Rocha tenta emprego de vereadora
Mundo cão 2
Dr. Farhat continua sendo o "advogado do Ratinho", mesmo que este esteja na geladeira do SBT
Homem x macho
Celebridade GLS, Léo Áquila propõe que escolas ensinem "amor" e diferença entre "ser homem e ser macho"
Herdeiro 1 Enéas Filho se diz filho de Enéas, mas nada tem a ver com o deputado morto Enéas Carneiro, o original
Herdeiro 2 Dra. Havanir, que foi do extinto Prona, tenta agora vaga pelo PTC
Herdeiro 3 Ele não usa o bordão "Meu nome é Manoel", mas também se diz "herdeiro do dr. Enéas"
"Hors-concours" Toda eleição ele volta com a proposta, já clássica, "Osmar Lins, péroba neles"
"Não seria a favor. A discussão sobre legalização ou não foi um pouco inútil. Examinando a situação do Rio, a legalização ─ ou a proibição ─ não se efetiva. Porque o problema central é a reforma da polícia"
Fernando Gabeira, candidato do PV à Prefeitura do Rio, ao responder se continuava a favor da descriminalização das drogas
O vira-lata Snoopy virou estrela da disputa de Nova Iguaçu (RJ), que tem o petista Lindberg Farias tentando a reeleição.
Oposicionistas do prefeito usam o cachorro para criticar a cobrança de impostos na cidade.
Segundo o despachante Durval Goulart Lopes, 37, dono do animal, desde 2007 são enviados seis carnês para o terreno de 474 metros quadrados que ele divide com duas irmãs e a mãe no Jardim Panorama, e que ainda abriga uma pequena loja.
Apesar de a entrada principal ser pela rua Luiz Galvão do Vale, uma das cobranças é endereçada à rua Elvira Guida, nos fundos. "Lá só tem a casinha do Snoopy", diz Lopes.
O IPTU do cachorro custa R$ 130,15.
O cão, que já ganhou perfil e comunidade no Orkut, vai aparecer no horário eleitoral gratuito.
Para a prefeitura, que enviou ontem técnicos ao local, a cobrança dos R$ 130,15 está correta. Diz que o imposto refere-se a toda a casa, inclusive à área do cachorro.
A vistoria, porém, detectou outra falha na cobrança. O desmembramento do IPTU, que gera um carnê para cada unidade construída, foi feito de forma equivocada.
Além das quatro cobranças residenciais (corretas, segundo a prefeitura, já que foram adicionados três "puxadinhos" à construção original), Lopes estava recebendo ainda dois carnês comerciais, quando só há uma loja no terreno.
Os técnicos da prefeitura prometeram resolver o problema. A "casinha" de Snoopy, porém, continuará a ser computada no cálculo do imposto da casa de Lopes.
Mesmo assim, ele se diz aliviado: "O Snoopy não corre mais o risco de ser despejado".
Não foi só o PT mineiro que Aécio conseguiu balançar ao indicar Marcio Lacerda (PSB) à Prefeitura de Belo Horizonte.
A jogada do governador provocou divisão também dentro do PC do B, o partido de Jô Moraes, principal adversária de Lacerda.
"Estou numa sinuca de bico", diz o sambista Martinho da Vila. "Ela [Jô Moraes] é do meu partido e fez a proposta para eu ser cidadão mineiro. E o Aécio é meu camarada, me deu a medalha JK, temos uma amizade muito grande."
Divulgação O comunista recebe a medalha JK do tucano
No Datafolha divulgado anteontem, os dois candidatos estão tecnicamente empatados. Lacerda tem 21% das intenções de voto e Jô, 17%. Lacerda cresceu 15 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior.
"Por enquanto, vou ficar 'out'", afirmou Martinho. "Vou deixar para decidir no segundo turno."
Já no Rio, ele avisa, está engajado na campanha de Jandira Feghali, também do PC do B.
Sem poder colar cartazes e afixar faixas, os candidatos recorrem nesta eleição a outros métodos para chegar ao eleitor, como a contratação de cabos eleitorais.
A repórter Catia Seabra, da Folha de S.Paulo, conta como em São Paulo Marta Suplicy, Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab aderiram à prática e colocaram nas ruas um exército em busca de votos.
Circulando pelas ruas de São Paulo mal se percebe que a cidade está em plena disputa política.
Temendo multas aplicadas pelo projeto Cidade Limpa e pela Justiça Eleitoral, candidatos abandonaram cartazes, faixas e outdoors.
Mas esses são novos hábitos.
Uma breve pesquisa no arquivo da Folha mostra como a cidade já sofreu durante campanhas, com políticos que invadiram com suas propagandas tudo o que encontraram pela frente: postes, árvores, calçadas, muros, monumentos e painéis. Propagada em 78
Pichação em árvore, em 1982
Viaduto do Chá com santinhos de candidatos em 1986
Pichação de Paulo Maluf e Delfim Netto, em 1986
Cartazes afixados em postes da avenida 23 de Maio, em 2002
RANIER BRAGON da Folha de S.Paulo LÍSIA GUSMÃO colaboração para a Folha Online, em Brasília
Lula escolheu o extremo leste de São Paulo para iniciar sua participação em carne e osso nas eleições deste ano.
Ele, que, até agora, gravou mensagens de apoio a alguns escolhidos, promete participar, no sábado, de uma caminhada de cerca de 100 metros no Jardim Helena, com Marta Suplicy (PT).
O bairro tem 68% de sua população na classe C e faz parte da segunda região onde Marta alcança seu maior índice de intenção de voto, 49% ─ ela tem 41% em toda a cidade.
A intenção inicial do PT era fazer o evento em São Miguel Paulista (também no extremo leste), na praça Padre Aleixo, mas as negociações com a segurança do Palácio do Planalto acabaram conduzindo para o Jardim Helena.
No domingo, Lula deve se dirigir para o ABC. O presidente acertou que subirá no palanque dos candidatos do PT em São Bernardo (Luiz Marinho), Diadema (Mário Reali) e de Santo André (Siraque Vanderlei).
Em São Bernardo, cidade em que morava antes de ser presidente e onde fica o seu apartamento, Lula gravou uma mensagem especial, já que a cidade não tem horário eleitoral no rádio e na TV.
Desde o último domingo, os moradores podem receber o telefonema com a voz de Lula.
"Alô, meu amigo e minha amiga. Estou aqui hoje para pedir seu apoio para Luiz Marinho, candidato a prefeito de São Bernardo do Campo. Assim que eu encerrar meu mandato, volto para cá e quero muito poder encontrar minha cidade muito melhor e muito mais bonita. São Bernardo vai ganhar muito com Luiz Marinho prefeito. A competência que ele demonstrou como ministro no meu governo vai ajudar demais a nossa cidade", diz o presidente na mensagem transmitida por telefone. Ouça o áudio aqui, na Folha Online.
Marcio Lacerda (PSB), em Belo Horizonte, e Beto Richa (PSDB), em Curitiba, são os candidatos a prefeito menos rejeitados entre os líderes da corrida nas oito principais capitais brasileiras.
Os dois enfrentam, cada um, 7% de rejeição em suas cidades.
Ambos só perdem para Antonio Carlos, que disputa a Prefeitura do Rio, pelo PCO, com 6%.
Lacerda é apoiado por Aécio Neves (PSDB) e Fernando Pimentel (PT) e apareceu, no último Datafolha, com 21%, empatado em primeiro lugar com Jô Moraes (PC do B), 17%.
Beto Richa vê cenário mais animador. Está com 71%, perto de vencer no primeiro turno.
Proibido de aparecer na propaganda de sua ex-mulher, Patrícia Saboya (PDT), candidata à Prefeitura de Fortaleza, o deputado federal Ciro Gomes (PSB) gravou um vídeo em que chama a gestão de Luizianne Lins (PT) de "fuleiragem".
A gravação foi produzida pelo filho mais velho do presidenciável e disponibilizada no YouTube.
A Justiça Eleitoral acatou representação da campanha de Luizianne e vetou a exibição das imagens de Ciro, Cid Gomes (PSB), governador do Ceará, e do presidente Lula na campanha de Patrícia porque eles não pertecem a partidos da coligação do PDT.
Segundo o último Datafolha, a prefeita subiu cinco pontos, chegando a 35%, à frente de Moroni Torgan (DEM), que oscilou de 30% para 29%. Com a margem de erro, de três pontos percentuais, ainda há um empate técnico.
"Não tem efeito prático. Tem efeito da solidariedade, tem efeito de diminuir notícia de imprensa. A população já sabe que somos do mesmo partido. Já apareceu na televisão, mas não tem efeito prático"
Geraldo Alckmin, candidato do PSDB, para quem a participação do governador José Serra não tem efeito prático na sua campanha
Com uma música logo na abertura de seu
programa de rádio, Gilberto Kassab ironizou hoje a sala de situação proposta por
Marta Suplicy, uma espécie de gabinete hi-tech de onde pretende monitorar, por
computador, os problemas de São Paulo.
"Já tentou o CEU saúde, agora tem outra invenção: dona Marta
quer fazer a sala de situação, pra ficar no gabinete, vendo o samba ir pro
vinagre, ao invés de ir pra rua pra cuidar dessa cidade. Quero Kassab, que é
prefeito de verdade", diz o jingle. Clique aqui
para ouvir o trecho.
Desde o início da campanha na TV, a petista promete uma "forma
moderna e ágil" de governar.
"Isso vai começar pelo meu gabinete, não terei um gabinete
tradicional, mas uma sala de situação, com monitores ligados nos centros vitais
da cidade, principalmente no trânsito e na segurança. Vou acompanhar os fatos em
tempo real e cobrar providências imediatas", afirma a ex-ministra.
Inspiração ou não, o projeto lembra a sala de situação mais
famosa do mundo, a da Casa Branca, usada atualmente por George W.
Bush.
Sala de situação da Casa Branca, com
Bush ao fundo
Por volta das 13h40 de hoje, o veículo de campanha do vereador e candidato à reeleição Agnaldo Timóteo, um Lexus, parou em local proibido na avenida São João, na região central de São Paulo.
Dois assessores desceram do carro, que ficou por cerca de três minutos estacionado sobre a faixa amarela. O próprio candidato dirigia o veículo e cometeu a infração.
A placa do carro é da cidade de Timóteo, em Minas Gerais, e o número 1936 é o ano de nascimento do cantor.
Ao avistar o fotógrafo, ele acenou para a câmera. Mais tarde, por telefone, primeiro negou que o ato fosse irregular. Depois, disse que o estacionamento foi uma atitude "necessária", mas não "desrespeitosa".
Timóteo afirmou que ficou no carro enquanto seus assessores o ajudavam com a filha adotiva dele, de 1 ano e 10 meses.
Ao eleger a saúde como tema principal, Geraldo Alckmin segue a "Cartilha de Marketing Eleitoral" do PSDB. O documento, de 48 páginas, traz como exemplo de campanha típica: "Um candidato médico de oposição a um governo mal avaliado cujo principal problema é a saúde".
Segundo o Datafolha, 53% dos paulistanos avaliaram o sistema municipal de saúde como ruim ou péssimo. A área com pior avaliação do governo. A cartilha propõe o slogan "chame o doutor!" e faz um diagnóstico da vitória do governador José Serra (PSDB) sobre Marta Suplicy em 2004.
Segundo o texto, elaborado pelo Instituto Teotônio Vilela (ITV), a cautela também deve ser aplicada quando o candidato tucano é de oposição a um prefeito "com avaliação muito positiva". "Todo cuidado é pouco: não ataque a administração, não ataque o prefeito", diz.
A cartilha traz exemplos de eleições passadas e simula algumas situações que o candidato pode enfrentar, algumas bem parecidas à disputa na capital paulista. No caso em que "o prefeito disputa a reeleição", o documento propõe "associar a imagem dos seus dois adversários entre eles".
"Às vezes isso é possível, às vezes não", diz. A sugestão se enquadra na situação em que há "três candidatos competitivos". Um reflexo da disputa paulistana, em que o prefeito Gilberto Kassab concorre com Marta Suplicy (PT) e Alckmin.
Uma das principais dicas para os candidatos é ter uma "imagem pessoal clara, uma marca", e "não acreditar em apoios políticos". A cartilha ensina ainda técnicas de persuasão: "É preciso falar o que o eleitor quer ouvir", diz.
A idéia da cartilha não é nova. Em 2004, o PT lançou um manual de boas práticas para os candidatos a prefeito e vereador intitulado "Caderno de Formação". Dentre as dicas, desestimulava a distribuição de "milhões de camisetas e bonés", mas fomentava a pintura de muros com propaganda eleitoral: "Devem ser bem feitos, se aproximarem do artístico, para que haja diferenciação dos demais candidatos."
Desta vez, o diretório nacional do partido preferiu abandonar a iniciativa, muito criticada na ocasião. Só o diretório baiano reeditou o "caderno". Em São Paulo, a coordenação da campanha de Marta fez apenas reuniões com candidatos. O DEM elaborou apenas uma cartilha com proibições e permissões de campanha.
"Eles vieram aqui não desejar apoio, mas me desejar boa sorte. Eu sou prefeito, eles são vereadores, e estão conosco desde o início da gestão, aí não tem nenhuma vinculação com a campanha"
Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, que hoje fez ato de campanha acompanhado por vereadores do PSDB, partido do candidato Geraldo Alckmin
No rastro da ascensão do presidente Lula, 219 torneiros mecânicos _assim como ele_ tentam seguir carreira política. São 212 candidatos a vereador, seis a vice-prefeito e um a prefeito nas eleições 2008. Boa parte é companheira de partido de Lula: ao todo, 36 concorrem pelo PT. Mas há também oposicionistas (15 do PSDB e 14 do DEM, por exemplo).
Apesar de poucos terem conseguido cursar até o ensino médio, nove iniciaram uma faculdade e cinco completaram um curso universitário. Em São Bernardo do Campo (SP) não há nenhum torneiro mecânico na disputa. Foi no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, presidido por Lula em dois mandatos sucessivos, que o presidente iniciou sua carreira política.
Maioria na população brasileira, segundo o IBGE, as mulheres representam apenas 21,3% do total das candidaturas na eleição deste ano. Mas o Datafolha revela que, senão em quantidade, elas estão bem posicionadas nos principais centros do país. O resultado da pesquisa, divulgado ontem, indica que em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte e em Porto Alegre há candidatas com chances reais de vitória _os três primeiros são os maiores colégios eleitorais do país.
Marta Suplicy (PT) se distanciou na liderança em São Paulo, atingiu 41%, e pela primeira vez aparece numericamente à frente do tucano Geraldo Alckmin (PSDB) em um cenário hipotético de segundo turno. No Rio, Jandira Feghali (PC do B), com 15%, está no bolo dos que disputam uma vaga ao segundo turno, com Eduardo Paes (PMDB), 17%, e Marcelo Crivella (PRB), 20%. No segundo turno, ela bateria Crivella com 12 pontos de diferença. Apesar de ter caído, Jô Moraes (PC do B) está em empate técnico com Marcio Lacerda (PSB). O candidato tem 21%. Ela, 17%. O equilíbrio se mantém no segundo turno, com uma diferença de apenas um ponto percentual, a favor dela: 34% a 33%. E em Porto Alegre a grande batalha entre as mulheres. Enquanto José Fogaça manteve a dianteira, com 31%, Maria do Rosário (PT), 20%, e Manuela (PC do B), 19%, se digladiam neste momento pela segunda vaga no próximo turno.
A petista espera usar uma arma para se distanciar nas pesquisas. E uma arma feminina: a ministra Dilma Rousseff, que, na bolsa de aposta atual, é tida como o nome do presidente Lula para concorrer à Presidência em 2010.
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