Na pesquisa Datafolha divulgada hoje, o candidato tucano à Prefeitura de São Paulo experimentou queda de 11 pontos percentuais entre aqueles que declaram ter preferência pelo PSDB, em relação à última pesquisa, realizada em julho. Enquanto isso, Gilberto Kassab cresceu sete pontos entre os mesmos admiradores do partido de Alckmin. Kassab exibe imagens do governador José Serra (PSDB) em seu programa de televisão e martela a imagem de sucessor do tucano.
No estrato sobre religião, Alckmin, conhecido católico praticante, é mais bem avaliado entre espíritas/kardecistas. Nessa fatia, o tucano (que tem 24% das intenções de voto no total e também 24% entre católicos), chega a 40% da preferência. Líder na corrida para a Prefeitura com 41%, a petista Marta Suplicy tem "apenas" 21% da preferência entre aqueles que se declaram espírita/kardecista.
Alckmin e sua mulher, Lu, participam de missa do padre Marcelo Rossi, na última quinta-feira, em Santo Amaro, zona sul de São Paulo
O programa de rádio dos candidatos a vereador em São Paulo pelo PSDB das 7h e o do meio-dia foram loteados por Geraldo Alckmin, que, segundo pesquisa Datafolha divulgada hoje, teve queda de oito pontos na intenção de votos e está 17 pontos abaixo da líder Marta Suplicy (PT). Sua distância para Gilberto Kassab (DEM) caiu de 21 para 10 pontos.
Na propaganda eleitoral do rádio, os vereadores falaram mais de Alckmin do que de si próprios, exaltando ações do tucano em diversas áreas. "São Paulo precisa de mais moradias populares de qualidade, como aquelas que Geraldo Alckmin fez quando foi governador", disse Edson Marques. "Quem entende de saúde é médico, e Geraldo Alckmin é médico", afirmou Arthur Xavier. "Geraldo Alckmin, quando foi governador, fez muito pelos jovens, fez 13 escolas técnicas e 19 faculdades de tecnologia", listou Vítor Kobaiashi.
Na quinta-feira, Alckmin entrou com uma representação na Justiça Eleitoral acusando Kassab de invadir o horário eleitoral dos vereadores. Pedia a suspensão da veiculação do jingle contra Marta Suplicy. O pedido foi negado.
Depois de Havanir, Enéias Filho (que, apesar da barba, careca, dos óculos e do grito rouco, não é filho de Enéas Carneiro), outro candidato surgiu hoje, no programa de rádio, reivindicando a herança do criador do Prona. "Sou herdeiro do doutor Enéas", afirmou Manoel Cruz, do PR.
Geraldo Alckmin falou mal na TV da gestão de Gilberto Kassab, como mostra reportagem de hoje da Folha (só para assinantes), e atiçou o tucanato que apóia o prefeito.
De um secretário municipal, do PSDB, ouviram-se as palavras "desrespeito" e "oportunismo rasteiro".
Outro secretário de Kassab, também tucano, afirmou que o programa é um "tapa na cara" do governador Serra, que "começou todo esse trabalho na prefeitura".
Miguel Mossoró (PTC) conquistou em 2004 a terceira colocação nas eleições de Natal, com 18% dos votos, com a proposta de "ir para a mãozada" com "gringo" que consumisse drogas e assediasse mulheres em Natal.
Agora, uma das propostas do plano de governo de Mossoró é levar os cem melhores alunos da rede municipal para a Disney.
Favelas são terreno fértil para formas perversas de política, diz o sociólogo Luiz Antonio Machado Silva, que há 40 anos estuda favelas no Rio. Machado Silva vê algo de novo e preocupante nas notícias sobre a presença cada vez maior de grupos criminosos com representantes no Poder Legislativo e impedindo a participação de outros políticos em suas áreas de atuação.
Como exemplos de "formas perversas de política", ele cita a troca de votos pelo acesso a bicas d’água, prática comum na década de 40.
Lembra também que não é novidade a tentativa de interferência na política, mas que, dessa vez, ela começa a ocorrer "sem intermediários" e com intimidação a políticos que tentam atuar na mesma área.
"Os moradores de favelas acabam confinados e estigmatizados, com dificuldades enormes de organizar suas demandas coletivas. De um lado, a articulação é dificultada pelo tráfico ou pela milícia, e, de outro, há uma polícia com delegação das camadas mais abastadas para reprimir."
Machado Silva, autor do livro "Crime Violento e Política no Rio de Janeiro", é doutor pela Rutgers University, pós-doutorado pela Universidade de Lisboa e professor do Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro).
Gilberto Kassab teve no programa da TV de hoje a participação involuntária de um apoiador de Geraldo Alckmin.
O vereador Adilson Amadeu, que tenta a reeleição pelo PTB, partido da coligação tucana, foi filmado durante inauguração de unidade de AMA (Assistência Médica Ambulatorial) e acabou indo parar no horário eleitoral do prefeito.
Reprodução Adilson Amadeu, à esquerda do prefeito Kassab
Ele não é o único. Dois vereadores tucanos -- Gilberto Natalini e Claudinho -- aparecem na campanha de Kassab.
Os dois ainda não gravaram sua participação no programa do PSDB.
Adriana Lorandi, ex-mulher de Enéas Carneiro, deputado federal morto no ano passado, vai acionar a Justiça contra o clone de seu ex-marido que aparece no horário eleitoral da TV.
Com barba, careca, óculos e voz parecidos com o deputado federal mais votado do país em número absolutos (1,57 milhão de votos em 2002), Enéias Filho -- nome verdadeiro: Luciano Enéas Martines Nantes Soares, 37 -- tenta se eleger vereador em São Paulo, feito já obtido por seu verdadeiro pai, Osvaldo Enéas Nantes Soares, em 1996.
"Já estou estudando o que é possível fazer. Vou consultar um advogado na semana que vem. Minha filha está furiosa", disse Lorandi, procuradora que mora em Brasília.
(Em tempo: Enéas Carneiro, do extinto Prona, deixou três filhos quando morreu. Todas mulheres.)
Como seu pai, Luciano incluiu "Enéas" no nome, alterando o registro de nascimento no cartório. E já havia tentado se eleger em 2006, como deputado federal. Sob o nome de "Tuca", sua candidatura, no entanto, foi indeferida pela Justiça Eleitoral.
"Ele se transformou para parecer o doutor Enéas. Ele está maculando a memória de uma pessoa que já faleceu. É lamentável", diz Havanir Nimtz, que pertenceu ao Prona e hoje tenta voltar à Câmara pelo PTC.
"Eu sou a sucessora natural dele, não acredito que uma coisa dessa aconteça."
Kennedy Rene, presidente municipal do PTN, partido de Luciano, nega irregularidades: "Não tem nada montado, é o jeito dele mesmo. Ele é filho de um Enéas que foi vereador".
"A barba e o grau de óculos são de verdade. E ele ainda ganhou dois pares de óculos do Enéas Carneiro, quando ele era vivo", diz Rene. Segundo ele, Luciano estava ontem em viagem no interior, inacessível.
Apesar de dizer que o candidato não foi "montado", Rene afirma que barba e óculos surgiram em Luciano "há mais de um ano".
Acabou mais um programa de Geraldo Alckmin, agora quase sem José Serra e com um princípio de ataque à saúde em São Paulo.
Mas pouca ou nenhuma mudança estética. E as qualitativas já confirmariam que vai mal a propaganda comandada por Lucas Pacheco.
Embora a campanha fale insistentemente em continuidade, sua apresentação segue por outro caminho, rompe com a imagem tradicional do PSDB.
Como estabelecido por Geraldo Walter e desenvolvido por Nizan Guanaes e Luiz González, o marketing tucano de duas décadas sobrevive na campanha que o último faz para o DEM do repaginado Gilberto Kassab.
As cores nacionais em tom leve, a iluminação clara, os sorrisos generosos: o "demo" agora é tucano, em curiosa simbiose.
(Assim como Walter-Guanaes-González definiram a estética demo-tucana, a linhagem de Carlito Maia para Duda Mendonça e João Santana fez o mesmo com petistas e seus aliados, como se confirma agora com Marta.)
Para "Geraldo" ou "Alckmin", opção ainda incerta na campanha, restou a vertente cearense, com um marqueteiro que trabalhou antes para Tasso Jereissati. É coerente que atue para um candidato que se alinha a Aécio Neves em 2010.
Por outro lado, sem a simpatia que a trinca publicitária conseguiu impregnar em tucanos empedernidos como FHC, Mario Covas e José Serra, o candidato agora soa distante e frio. Ou "desconectado", como descreve o marketing americano.
Percepção que não se altera nem quando "abraça" o povo, tema insistentemente explorado por Lucas Pacheco.
Some-se a diferença no tempo de televisão e rádio para Kassab _e a perspectiva não é das melhores.
Alvos de contestação da campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) na Justiça Eleitoral, os elogios que aparecem a Gilberto Kassab (DEM) no horário eleitoral de candidatos a vereador foram parte de acordo entre o prefeito e as siglas da coligação.
Segundo os tucanos, o prefeito "invadiu" o horário dos vereadores.
O PR ganhou um minuto a mais de tempo na TV, e, em troca, a atual bancada da legenda na Câmara Municipal tem que fazer elogios ao candidato do DEM. Ganham mais espaço, neste momento, os vereadores que têm mais voto em São Paulo, na esperança de conquistar eleitores para Kassab.
O acordo também foi fechado com outras siglas da chapa.
"Sou testemunha de que o prefeito Kassab fez o maior e melhor projeto de pavimentação em São Paulo. Cidade Limpa e o combate ao combustível adulterado foram grandes realizações da administração Kassab. Para tudo isso continuar, vote Kassab e Goulart", disse Goulart (PMDB), que obteve 67 mil votos em 2004.
Geraldo Alckmin apresenta hoje seu plano de governo para São Paulo. O tucano não poupará a administração de Gilberto Kassab (DEM), que tem o PSDB do ex-governador entre os quadros.
"Reconhecemos o mau atendimento existente nas unidades de saúde da prefeitura. Infelizmente, faltam 1.500 médicos na cidade", diz texto de apresentação do programa que o tucano lançará, às 12h, no Clube Homs.
Segundo o PSDB, cerca de 600 pessoas estiveram envolvidas na elaboração do material. Oficialmente, nenhum secretário do governador José Serra, PSDB, participou.
Chamado de "vagabundo" pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) em 2007, o publicitário Kaiser Paiva Celestino da Silva, 48, vai concorrer a uma cadeira na Câmara. Silva disputará vaga de vereador pelo PSC (Partido Social Cristão), que integra a coligação de Kassab, conforme informou reportagem publicada nesta sexta na Folha (só para assinantes).
Veja o registro da candidatura de Silva no TSE aqui.
O publicitário diz que resolveu se filiar ao partido em outubro passado após o Ministério Público estadual ter arquivado uma representação apresentada por ele contra o prefeito. Há dois anos, Kassab expulsou, aos gritos, Silva de um posto de saúde.
O publicitário afirma que esperava que o candidado do PSC nesta eleição fosse o deputado federal Régis de Oliveira e que ficou supreso quando o partido resolveu apoiar Kassab. "Quando tive ciência de que o partido iria apoiar o DEM, pensei: Puxa, me dei mal! E agora, como fica?".
Agora, Silva diz que não sabe se vai botar a campanha dele na rua.
A campanha de Barack Obama anda inspirando a disputa em Natal. Micarla de Souza (PV), candidata à prefeitura, exibiu no horário eleitoral da TV um vídeo com as mesmas características de uma produção de apoiadores do norte-americano.
Assim como no vídeo de Obama, os participantes do clipe de Micarla aparecem em imagens em preto-e-branco, e a frase "We Are The Ones", do democrata, foi substituída por "A Gente Quer, A Gente Pode".
Pesquisa Ibope divulgada no último dia 6 mostrou Micarla isolada na liderança, com 54%. Obama, por sua vez, viu nesta semana, pela primeira vez, o adversário John McCain ultrapassá-lo na corrida pela Presidência. O republicano tem 46% contra 41% do democrata.
O PSDB lidera o ranking de avaliação dos vereadores de São Paulo elaborado pela ONG Voto Consciente, que divulgou os números nesta quinta-feira. Os tucanos José Police Neto (Netinho) e Mara Gabrilli ficaram nas duas primeiras posições, seguidos pelo petista Donato.
O PT conseguiu emplacar quatro vereadores entre os dez mais bem avaliados na atual legislatura. Para fazer o ranking, a ONG considerou o período de 2004 a 2007. Sete critérios foram adotados, como fidelidade partidária, qualidade dos projetos de lei apresentados e freqüência nas comissões.
PSDB e PTB conseguiram três representantes cada um, no topo da lista. O DEM só aparece na 27ª posição, com Domingos Dissei. A candidata à prefeita Soninha obteve o 13º lugar para o PPS, enquanto o PSB conseguiu o 15º lugar, com Eliseu Gabriel.
O PR surge na posição número 18 (Aurélio Miguel), e o PMDB chegou a 21ª posição, com Goulart. Já o PV alcançou no ranking o 23º lugar (Aurelio Nomura). O PDT foi o pior partido posicionado: Claudio Prado, 45º, e Myryam Athie, em último lugar geral.
"As AMAs foram desenvolvidas por mim e pelo governador José Serra [PSDB]. É evidente que se o [ex-]governador Geraldo Alckmin quisesse ter feito alguma AMA, ele teria feito nos 12 anos em que esteve à frente do governo estadual"
Gilberto Kassab,prefeito e candidato à reeleição pelo DEM
Nesses tempos em que a saúde é a área mais mal avaliada pelos paulistanos -- para 53%, em julho, o sistema municipal de saúde era ruim ou péssimo, disse o Datafolha --, todo mundo quer fazer propaganda de AMA no horário eleitoral.
No programa noturno de ontem, Alckmin e Kassab vincularam o projeto às suas gestões e exibiram imagens quase idênticas na TV.
Reprodução Imagem do programa de Alckmin exibido na noite de quarta
Propaganda na TV de Kassab, em que exalta construção de AMAs
"E tem mais: tem a mão de Kassab numa das melhores coisas que acontecem na saúde: as AMAs, aqueles ambulatórios que dão consulta sem hora marcada, que fazem exames na hora e até pequenas cirurgias", disse o narrador do programa do prefeito.
Na vez de Alckmin, seu locutor disparou: "Com o prefeito José Serra, criou as AMAs".
A disputa começou antes do início do horário eleitoral, conforme reportagem da Folha de julho (só para assinantes), continuou hoje, nas ruas, relata a Folha Online, e deve se manter durante toda a campanha.
O prefeito Gilberto Kassab participou, na quarta à noite (20), da comemoração do aniversário do subprefeito de Pinheiros, Nilton Elias Nachle, 53.
À mesa, sentou-se entre o aniversariante e o secretário municipal de Coordenação das Subprefeituras, o tucano Andrea Matarazzo.
Antes de comandar um brinde, Kassab circulou pelas rodas de subprefeitos, em sua maioria tucanos. Entre eles Beto Mendes (Cidade Ademar e "100% Kassab") e Heitor Sertão (Jabaquara). À saída, já na porta do restaurante especializado em grelhados, cochichou com Laert Teixeira (Itaquera) e Geraldo Mantovani (Santo Amaro).
O candidato tucano Geraldo Alckmin não foi convidado.
Em caminhada na praça da Sé, na última semana, enquanto era assediado pelo público que queria tirar fotos, apertar a mão e pedir benesses, o candidato do PP Paulo Maluf perguntou à repórter: "Cadê a rejeição?".
Segundo o Datafolha de julho, 56% dos eleitores dizem que não votariam em Maluf de jeito nenhum -- e esse é o maior desafio do ex-prefeito na disputa. Marta Suplicy (34%) e Gilberto Kassab (31%) estão tecnicamente empatados nesse quesito, enquanto Geraldo Alckmin é rejeitado por 18%.
A coordenação da campanha malufista, que tem como estratégia mostrá-lo "nos braços do povo", recusa a idéia de "rejeição".
"Não há rejeição. O que pode haver é intenção de não-voto", diz o candidato.
A candidata petista enfrentou nesta quinta outro tipo de concorrência enquanto fazia campanha na zona norte da capital.
Enquanto se reunia, pela manhã, com o bispo d. Joaquim Justino Carreira na cúria regional de Santana, a seleção feminina de futebol estava em campo, disputando a medalha de ouro em Pequim.
João Wainer/Folha Imagem
Do lado de fora, os jornalistas de imagem que esperavam a ex-ministra estavam muito mais interessados na outra Marta, a camisa 10 do time. E dispararam blasfêmias quando, aos 10 minutos do primeiro tempo da prorrogação, a estação de rádio a que ouviam interrompeu a transmissão da partida para dar lugar ao horário eleitoral gratuito.
Os fiscais da Justiça Eleitoral paulista estão perdendo parte do tempo de trabalho investigando denúncias infundadas. Relatório estatístico do TRE-SP mostra que a maioria das queixas de irregularidades nas campanhas de prefeitos e vereadores não passa de boatos.
Em todo o Estado, das 2.285 denúncias feitas pelo sistema on-line do TRE, 412 (18,03%) foram consideradas inexistentes. Na capital, esse índice alcança 21,43% -- ou 39 denúncias de um total de 182 registros, feitos de 8 de abril até 20 de agosto.
Apenas 19 casos no Estado, sendo dois na capital, foram parar no Ministério Público, pois os candidatos não retiraram propagandas consideradas irregulares. O TRE fez 112 autuações, 296 notificações resultaram na retirada da propaganda e 320 casos estão sendo apurados. Um dos principais problemas identificados pelos fiscais são as denúncias incompletas, que somam 353 casos.
O franco-argentino Luis Favre apareceu pela primeira vez nas páginas da Folha em outubro de 2000, pouco antes de Marta Suplicy (PT) vencer as eleições que a levariam a comandar São Paulo de 2001 a 2004. A reportagem de Mário Magalhães o descrevia como um personagem "quase onipresente" na campanha, mas que, apesar disso, se recusava a falar sobre o papel que desempenhava. Seis meses depois, com Marta já prefeita, veio o anúncio do fim do casamento de mais de 30 anos com o senador Eduardo Suplicy e, em 2003, Marta e Favre oficializaram a união em um sítio em Itupeva (75 km de São Paulo), cerimônia que contou com a presença do presidente Lula. Favre foi novamente peça-chave da entourage petista na campanha à reeleição de Marta, em 2004.
Hoje o marido da petista está fora da campanha, segundo os petistas e segundo ele próprio. Acompanha Marta em eventos sociais, mas realmente não é visto na maioria dos compromissos da petista no dia-a-dia. De vez enquanto, Marta o cita, como ao comentar a desclassificação do futebol masculino do Brasil pela Argentina, na Olimpíada. "Xi, e eu tenho um argentino lá em casa".
Favre, porém, não está fora do debate. Ele mantém na internet um movimentado blog em que não passa um dia sem criticar os adversários eleitorais da mulher ou fazer uma minuciosa análise da cobertura eleitoral promovida pela imprensa. O blog não é só político, reconheça-se. Aqui e ali é salpicado por "posts" sobre cultura, como na noite de terça-feira, quando ele colocou "variações sobre um tema rococó, op. 33", de Tchaikovsky. Mas o maior volume de suas "leituras" (é o título do blog) é sobre política. Favre reproduz reportagens da imprensa que considera favoráveis ao governo Lula e a Marta, além daquelas com tom crítico aos adversários. Mas, também reconheça-se, ele não deixa de reproduzir matérias críticas a Marta.
A diferença é que, nesse caso, sempre procura rebater. Um de seus últimos esforços foi "investigar" a relação da Prefeitura de São Paulo com as "farmácias populares" do governo federal, tudo com o objetivo de se contrapor a reportagem segundo a qual o governo Lula privilegia prefeituras aliadas. "Este blog está em condições de afirmar que a prefeitura de São Paulo, a maior e mais importante prefeitura demo-tucana, não solicitou nenhum aporte novo para construir mais farmácias, mas recebeu sim o dinheiro federal para manutenção das 16 farmácias populares existentes no município", disse em comentário.
Não raro, o franco-argentino faz menção a um suposto beneficiamento da imprensa a Geraldo Alckmin (PSDB). Em recente post, usou de ironia para se expressar. Sem fazer referência ao apelido "picolé de chuchu" do tucano, titulou: "A mídia tem a receita". O post tratava de reportagem culinária sobre como transformar o insípido chuchu em algo palatável.
As estratégias dos principais candidatos à Prefeitura de São Paulo para o horário eleitoral gratuito, os trunfos dos marqueteiros e os pontos fracos de Marta Suplicy (PT), Geraldo Alckmin (PSDB), Gilberto Kassab (DEM) e Paulo Maluf (PP). Os repórteres da Folha de S.Paulo Ranier Bragon, José Alberto Bombig, Catia Seabra e Ana Flor comentam como será a campanha na TV e no rádio, que vai até o dia 2 de outubro.
A rádio CBN teve que interromper a transmissão da final olímpica do futebol feminino, Brasil x EUA, na prorrogação. O locutor não escondia a revolta. "Vamos ter que interromper a transmissão desse jogo importantíssimo, um momento histórico, para a transmitir o horário eleitoral obrigatório...". Meia hora depois, o ouvinte recebeu a notícia de que as brasileiras perderam por 1 a 0.
A agenda de Geraldo Alckmin desta quinta diz que ele participa, com a sua mulher, Lu, da missa de Marcelo Rossi no Santuário do Terço Bizantino, que costuma reunir até 10 mil fiéis -- e muitos eleitores.
Na quinta-feira passada, o padre-astro recebeu em seu altar Gilberto Kassab, que ganhou até bolo de aniversário e "parabéns" puxado pelo religioso.
Ao final, eis o que se deu no sermão:
"Quem tem alguma dor física levanta a mão!", conclama Rossi.
Kassab não levanta.
"Quem é pego por maus pensamentos?"
Kassab não levanta.
"E pessimismo? Quem conhece alguém que fala coisas pessimistas?"
Kassab não levanta.
"Quem já sofreu a dor da traição?"
Kassab não levanta.
"Quem tem carências?"
Kassab não levanta.
"Para quem não levantou agora, nós temos um hospício aqui do lado."
Na estréia do programa eleitoral noturno, na terça-feira (19), 57% das TVs estavam ligadas na Grande SP contra 64% no mesmo dia da semana anterior. Ou seja: 396 mil domicílios desligaram a televisão quando os políticos começaram a falar.
Na tentativa de recuperar alguns desses pontos, a Band vem mostrando no fim de cada horário eleitoral, às 21h, obrigatório noturno uma vinheta do humorístico "CQC", simulando uma propaganda política.
Durante visita à vila Clara, no Jabaquara, Geraldo Alckmin (PSDB) por pouco não ficou frente a frente com a adversária Marta Suplicy (PT), representada por um adesivo colado em uma das vielas.
Fotos João Wainer/Folha Imagem
Uma vistoria realizada pelos assessores do tucano livrou o ex-governador do "encontro". Rapidamente, eles removeram a ex-prefeita e colocaram no lugar um adesivo de um candidato a vereador da coligação liderada pelo PSDB.
Depois de ter cancelado toda a sua agenda de candidata na segunda-feira (18) por causa de uma forte gripe, Marta Suplicy (PT), ainda se sentindo mal, foi para o sacrifício durante encontro com representantes do setor de ciência e tecnologia no dia seguinte (19).
Com voz rouca e rosto abatido, a ex-ministra quase não parecia a mesma pessoa que estampava a enorme foto de campanha atrás do palanque. Um detalhe, no entanto, ligava a candidata de verdade com a que aparecia na imagem: o par de brincos dourado nas orelhas.
Os candidatos à Prefeitura de São Paulo apresentaram suas propostas para o trânsito e transporte na Folha. Medidas impopulares, como pedágio urbano e ampliação do rodízio, foram rechaçadas pela maioria dos candidatos -- apenas Soninha defende abertamente a cobrança. Leia aqui o texto completo (só para assinantes).
O "Campanha no Ar" fez um breve retrospecto do que os candidatos disseram sobre trânsito nas três últimas campanhas municipais: 1996, 2000 e 2004.
Em 1996, o índice médio de congestionamento em São Paulo às 19h saltou de 93 km, no ano anterior, para 119 km. O transporte virou vedete da campanha naquele ano. A então petista Luiza Erundina falava em bilhete único _proposta que já havia sido lançada por Eduardo Suplicy em 1992. Celso Pitta (na época do PPB) lançou a semente do Fura-Fila, a obra suspensa que atravessou gestões e continua inacabado, e José Serra (PSDB) enfatizou a construção de mais linhas de metrô.
Vera Gonçalves - 07.mar.07/Folha Imagem
Trecho do Expresso Tiradentes, que já chamou Fura-Fila e Paulistão
Ninguém defendeu o rodízio, que, mesmo impopular, acabou implantado um ano depois.
Na campanha de 2000, com a média de congestionamento nivelada aos anos anteriores -- 116 km às 19h --, ouvia-se dos candidatos Alckmin, Maluf e Erundina promessas de ampliar o metrô e integrar o sistema de transporte. Marta Suplicy também fez coro e reergueu a bandeira do bilhete único, projeto que acabou realizado no último ano de mandato, em 2004.
Com média de 113 km às 19h, 2004 foi o ano do bilhete único. O benefício dominou o debate. Serra se comprometeu a mantê-lo e ampliá-lo para o metrô, o que aconteceu no final de 2005. Outro plano de Serra era liberar caminhões maiores que os VUCs (Veículo Urbano de Carga) para circular pela cidade. Kassab, o vice que se tornou prefeito há dois anos, fez há pouco exatamente o contrário.
DIAS DE VOTAÇÃO 5 de outubro - Primeiro turno 26 de outubro - Segundo turno
HORÁRIOS Das 8h às 17h
LOCAIS Cada eleitor deve procurar o endereço da sua zona eleitoral. No TSE é possível fazer essa consulta com o título
QUEM VOTA Alfabetizados com mais de 18 e menos de 70 anos. Voto é facultativo para quem tem entre 16 e 18 anos, analfabetos e maiores de 70
DOCUMENTOS Título eleitoral ou documento oficial com foto
COMO VOTAR Na urna eletrônica, eleitor digita primeiro os cinco números de seu candidato a vereador e, depois, dois números do candidato a prefeito. É permitido levar "cola"
OUTRAS DÚVIDAS
O que acontece se o eleitor não votar?
Quem não votar deve justificar a ausência. O eleitor que deixar de votar em três turnos consecutivos sem justificativa terá o título cancelado.
Como fazer a justificativa no dia da eleição? Com título eleitoral e documento oficial com foto, eleitor deve entregar formulário preenchido em lugares destinados ao recebimento de justificativa eleitoral, como locais de votação, por exemplo. O formulário para justificar poderá ser obtido antecipadamente nos cartórios eleitorais, nos postos de atendimento ao eleitor, nas páginas da internet do TSE e dos TREs. No dia da eleição estará disponível nos locais de votação ou de justificativa.
E se não justificar no dia da votação? Eleitor tem até 60 dias após cada turno para fazer a justificativa.
Há limites para justificar o voto? Não. O eleitor pode justificar quantas vezes precisar.
Blog do caderno Brasil, da Folha, com curiosidades e bastidores das campanhas pelo país, nas ruas e no horário eleitoral. É coordenado por editores do caderno, com produção de repórteres e redatores, em São Paulo, das sucursais de Brasília e do Rio e dos correspondentes da Agência Folha.
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